Juiz manda ‘Japonês da Federal’ para sala da Polícia Civil

Juiz manda ‘Japonês da Federal’ para sala da Polícia Civil

Condenado por supostamente facilitar contrabando, Newton Ishii começa a cumprir pena de quatro anos e dois meses no Centro de Operações Especiais em Curitiba

Mateus Coutinho, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Ricardo Brandt

08 de junho de 2016 | 20h31

 

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O juiz Matheus Gaspar, da 4ª Vara de Execuções Penais da Justiça Federal em Foz do Iguaçu (PR), determinou nesta quarta-feira, 8, a transferência do agente da Polícia Federal Newton Ishii, o ‘Japonês da Federal’ para o Centro de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil do Paraná, em Curitiba. Ishii está detido na sede da Superintendência da PF em Curitiba, base da Lava Jato, desde terça-feira, 7, quando recebeu o mandado de prisão.

O ‘Japonês da Federal’ foi condenado em 2009 pela Justiça Federal no Paraná por corrupção e descaminho, ao supostamente facilitar a entrada no Brasil de produtos contrabandeados do Paraguai. A condenação foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça em março deste ano. A Corte determinou pena de quatro anos e dois meses de prisão. Como não existe casa de albergado no Estado do Paraná para o cumprimento de pena em regime semiaberto, o que é comum em caso de condenações de menos de seis anos, o juiz Matheus Gaspar, da Vara de Execuções Penais, determinou que o agente da PF fique custodiado no Cope.

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Inicialmente, o magistrado havia determinado que Ishii fosse para um presídio estadual no Paraná, mas o delegado regional executivo da PF no Paraná, José Washington Luiz Santos, solicitou que o agente permanecesse na Superintendência da PF ou, então, fosse transferido para o Cope, que possui estrutura para receber policiais que cometem crimes. Ainda não há previsão para a transferência de Ishii, que ocupa uma sala separada, mas a expectativa é que ele seja transferido para o Cope até sexta-feira.

Newton Ishii ficou conhecido como ‘Japonês da Federal’ ao escoltar presos e investigados da Operação Lava Jato. Atualmente no cargo de chefe substituto de Operações Especiais da Polícia Federal em Curitiba, ele fica lotado na sede da PF na capital paranaense e é responsável pela logística e escolta de presos. Ele estava trabalhando nesta terça, 7, quando foi notificado da decisão e se entregou espontaneamente.

Diferente dos presos da Lava Jato que ele ajudou a conduzir para a PF em Curitiba ao longo das 30 fases da emblemática operação de combate à corrupção, Ishii está em uma de sala separada na sede da Polícia Federal e não na carceragem.

O agente foi um dos 23 policiais federais alvos da Operação Sucuri, deflagrada em 2003 para apurar um esquema formado por agentes da PF e da Receita Federal que facilitava o contrabando de produtos ilegais na fronteira com o Paraguai em Foz do Iguaçu (PR).

Ishii responde a três processos, derivados da Operação Sucuri, sendo um na esfera criminal, outro administrativo e um terceiro por improbidade administrativa.

Figura sempre presente nas prisões da Operação Lava Jato, Newton Ishii ganhou marchinha de carnaval, boneco de Olinda e máscara.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Newton Ishii, que não estava no escritório. O espaço está aberto para manifestação da defesa do ‘Japonês da Federal’.

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