Juiz da Lava Jato revela rotina de créditos em contas de Cerveró no exterior

Juiz da Lava Jato revela rotina de créditos em contas de Cerveró no exterior

Sérgio Moro questionou o ex-diretor de Internacional da Petrobrás sobre ativos que ele teria recebido e movimentado em offshores na Suíça; na audiência desta quinta-feira, no entanto, Nestor Cerveró não respondeu a nenhuma das 25 perguntas que lhe foram feitas

Redação

16 de julho de 2015 | 20h25

 

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás. Foto: André Dusek/ Estadão

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás. Foto: André Dusek/ Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Valmar Hupsel Filho

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, revelou uma longa rotina de créditos em contas no exterior do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, preso desde janeiro em Curitiba. Na audiência desta quinta-feira, 16, na Justiça Federal do Paraná, Cerveró se manteve em silêncio. Ele não respondeu a nenhuma das 25 perguntas que lhe foram feitas pelo juiz da Lava Jato. “Eu vou permanecer em silêncio”, repetiu 25 vezes o réu.

No entanto, Sérgio Moro fez questão de registrar suas perguntas com base em documentos anexados aos autos do processo em que Cerveró é réu. Ele é acusado de receber propina em contratos de navios-sonda da Petrobrás.

A sequência de indagações do magistrado indica intenso fluxo financeiro em contas que, segundo a força-tarefa da Lava Jato, seriam controladas por Cerveró. Ele foi questionado sobre uma transferência de US$ 40 mil em 23 de janeiro de 2008, na Suíça, um crédito de US$ 75 mil em 17 de setembro de 2008 e outro de US$ 299.973 em 14 de maio 2009.

Esta última seria relacionada a conta Forbal, sediada no Uruguai, em nome da offshore Forbal Investment, constituída por Cerveró em 29 de abril de 2008, no paraíso fiscal de Belize, na América Central.  A força-tarefa da Lava Jato suspeita que a Odebrecht – maior empreiteira do País e cujo presidente, Marcelo Bahia Odebrecht, está preso – pagou propinas também para Cerveró.

“Tem conhecimento da conta Forbal?”, perguntou Moro. “Não, quer dizer, vou permanecer em silêncio”, esquivou-se o ex-diretor.

As informações sobre a conta Forbal constam de manifestação do Ministério Público Federal. A suspeita nasceu do rastreamento de uma operação de dólar-cabo feita, segundo a força-tarefa, pelo suposto operador de propinas da Odebrecht Bernardo Freiburghaus no banco Julius Baer, na Suíça, e o estatístico Alexandre Amaral de Moura. Em depoimentos aos procuradores, em 30 de junho, Moura detalhou a transação em que autorizou as transferências de US$ 300 mil para a conta Forbal, de Cerveró, e de US$ 340 mil para a conta Quinus, do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

A Odebrecht  nega veementemente ter feito qualquer pagamento ou depósito para Nestor Cerveró ou para qualquer outro ex-dirigente da Petrobrás — ou ainda para supostos intermediários.

Em uma ação criminal, Cerveró foi condenado a 5 anos de prisão por lavagem de dinheiro. No processo em que foi ouvido nesta quinta, ele é acusado de corrupção passiva, porque teria recebido US$ 30 milhões em propinas em contratos de navios-sonda da Petrobrás, em 2006 e 2007.

Em uma pergunta, o juiz Moro citou também um crédito de US$ 194 mil em uma conta de Cerveró, em 31 de outubro de 2012, e uma transferência de US$ 150 mil em 7 de novembro de 2012. “O senhor quer dar uma olhadinha?”, indagou o magistrado, exibindo cópia dos extratos bancários. “Vou permanecer em silêncio”, insistiu o acusado.

“Sabe me dizer se o sr. recebeu valores no exterior do sr. Fernando Soares?”, questionou Moro. “Eu vou permanecer em silêncio”, repetiu Cerveró.

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