Juiz da Lava Jato, no Rio, vê ‘traição eleitoral’ de Sérgio Cabral

Juiz da Lava Jato, no Rio, vê ‘traição eleitoral’ de Sérgio Cabral

Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, expediu um dos mandados de prisão de Sérgio Cabral – o outro é do juiz Sérgio Moro, do Paraná

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

17 de novembro de 2016 | 10h32

Juiz Marcelo Bretas. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

Juiz Marcelo Bretas. Foto: Marcos Arcoverde/Estadão

O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, afirmou em decisão que mandou prender o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) que se as suspeitas sobre o peemedebista forem confirmadas, ‘estaremos diante de um gravíssimo episódio de traição eleitoral’. Sérgio Cabral foi preso na Operação Calicute, nova fase da Lava Jato, sob duas ordens de prisão. A outra é do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato no Paraná.

A investigação da força-tarefa do Ministério Público Federal apura pagamento de vantagens indevidas a Sérgio Cabral, em decorrência do contrato celebrado entre a Andrade Gutierrez e a Petrobrás, sobre as obras de terraplanagem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A força-tarefa da Lava Jato, no Rio, investiga corrupção na contratação de diversas obras conduzidas no governo do peemedebista, entre elas, a reforma do Maracanã para receber a Copa do Mundo de futebol de 2014, o PAC Favelas e o Arco Metropolitano, financiadas ou custeadas com recursos federais.

Segundo a Procuradoria da República, ‘desde que Sérgio Cabral assumiu o governo estadual foi encetado um esquema de fraude em licitação e cartel envolvendo as grandes obras públicas de construção civil, além de pagamentos de propinas regulares por empreiteiras, entre elas a Andrade Gutierrez’.

Na decisão que mandou prender Sérgio Cabral, o juiz Marcelo Bretas classificou Sérgio Cabral como ‘político de grande expressão nacional’.

“No topo da cadeia de comando da estrutura criminosa sob investigação, conclui o Ministério Público Federal, estaria o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, ora investigado”, afirmou o magistrado. “Se forem confirmadas as suspeitas iniciais levantadas pelos investigadores e Procuradores da República oficiantes, em especial no que diz respeito à participação do investigado Sérgio Cabral, independente da gravidade dos fatos e suas consequências sobre as finanças públicas tanto do Estado do Rio de Janeiro como da União, estaremos diante de um gravíssimo episódio de traição eleitoral, em que um indivíduo mostra-se capaz de menosprezar a confiança em si depositada por milhões de pessoas, para cargos nos Poderes Legislativos (do Estado e da União) e Executivo (do Estado) e em tantas eleições.”

Sérgio Cabral foi deputado estadual por três legislaturas subsequentes e ocupou a Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). O peemedebista foi senador da República e governador do Rio por dois mandatos consecutivos.

A Operação Calicute é resultado de investigação em curso na força-tarefa da Operação Lava Jato no Estado do Rio de Janeiro em atuação coordenada com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná.

Duzentos e trinta policiais federais saíram às ruas para cumprir 38 mandados de busca e apreensão, 08 mandados de prisão preventiva, 2 mandados de prisões temporárias e 14 mandados de condução coercitiva expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, bem como 14 mandados de busca e apreensão, 2 mandados de prisão preventiva e 1 mandado de prisão temporária expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

São investigados os crimes de pertencimento à organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, entre outros. Também participam das diligências dezenove procuradores do Ministério Público Federal e cinco auditores fiscais da Receita Federal.

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