Juiz da Lava Jato encaminha documentos apreendidos de Paulo Roberto Costa ao STJ

Medida atende a pedido de diligências da Corte Superior para apurar envolvimento do governador do Acre Tião Viana (PT) no esquema de desvios na Petrobrás

Redação

26 de março de 2015 | 04h00

Por Mateus Coutinho

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

O juiz Sérgio Moro determinou nesta quarta-feira, 25, o encaminhamento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) dos documentos apreendidos nas buscas realizadas na residência do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, incluindo sua agenda de capa preta que contém anotações dos negócios do executivo envolvendo políticos.

A medida atende ao pedido do ministro do STJ Luis Felipe Salomão, relator dos casos da Lava Jato na Corte, onde tramitam dois inquéritos para investigar suposta participação dos governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Acre, Tião Viana (PT), e do ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) em esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. Além dos documentos, apreendidos pela força-tarefa da Lava Jato no ano passado, também foram compartilhadas as análises da PF sobre a agenda de Paulo Roberto Costa.

Tiao Viana. Foto: Divulgação

Tiao Viana. Foto: Divulgação

Os documentos vão ser utilizados nas diligências da Corte para apurar o envolvimento do governador petista no esquema. Já no inquérito para apurar o envolvimento de Cabral, Pezão e Fichtner, a Procuradoria pediu que sejam coletados documentos, vídeos e registros de entradas e saídas do hotel Caesar Park em Ipanema, zona sul do Rio.

Segundo os delatores, o local teria sido palco de um encontro, em 2010, para combinar a arrecadação de fundos com Costa. Foi pedido ainda que Cabral, Fichtner e executivos das empresas Skanska, OAS, UTC, Alusa, Techint e Odebrecht prestem depoimento no prazo de até 60 dias. Serão também analisadas as doações eleitorais feitas ao ex-governador do Rio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá prazo de 90 dias para isso.

Propinas. No inquérito, Cabral, Pezão e Regis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do Rio, são investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Procuradoria, Cabral e Pezão agiram juntos, com colaboração do ex-secretário, para receber R$ 30 milhões em 2010 de empresas contratadas pela Petrobrás para a construção do Comperj. O dinheiro teria sido destinado para a campanha dos peemedebistas – na época, Cabral disputava a reeleição como governador e Pezão, como vice.

A Procuradoria relata que o recebimento da propina foi feito por meio do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. No pedido de inquérito, a Procuradoria pediu que sejam ouvidos Cabral, Fichtner e executivos de empresas citadas pelo ex-diretor.

No outro pedido de inquérito, Tião Viana é suspeito de receber R$ 300 mil em propina da Petrobrás como auxílio para se eleger pela primeira vez ao governo do Acre, em 2010. Segundo a Procuradoria, a solicitação do dinheiro foi feita a Youssef e autorizada por Costa.

Os citados nos inquéritos negam veementemente envolvimento no escândalo da Lava Jato.

VEJA ABAIXO OS DOCUMENTOS DAS BUSCAS NA CASA DE PAULO ROBERTO COSTA ENCAMINHADOS AO STJ

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