Juiz da Lava Jato critica morosidade no combate ao colarinho branco

Juiz da Lava Jato critica morosidade no combate ao colarinho branco

'Não podemos ficar dependendo de ação mais ou menos eficiente da Justiça, temos que pensar em mudar a instituição como um todo', disse o magistrado a jornalistas

Redação

03 de julho de 2015 | 13h39

Por José Roberto Castro

ABRAJ,CONGRESSO,SERGIO MORO

O juiz Sérgio Moro, durante o Congresso da Abraji em São Paulo

O juiz responsável pelas ações penais da operação Lava Jato, Sérgio Moro, fez nesta sexta-feira, 3, críticas à morosidade do poder Judiciário, principalmente em casos de crime de colarinho branco. Moro, que chefia uma vara especializada em combate à corrupção, minimizou sua participação no enfrentamento a crimes contra o patrimônio público e disse que a obrigação do juiz é decidir segundo a lei e as provas.

“Muita gente dizia que a Ação Penal 470 mudou o País, agora se diz que esse caso que está nas minhas mãos vai mudar o País. Não podemos ficar dependendo de ação mais ou menos eficiente da Justiça, temos que pensar em mudar a instituição como um todo”, argumentou Moro. Para ele, “a preocupação que tem que existir é o que fazer para mudar o sistema para que casos esse (Lava Jato) não sejam exceção”.

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Falando sobre sua própria atuação, Moro disse que não se lembra de uma sentença da qual tenha se arrependido. “Um juiz nunca se desprende da natureza humana, leva para o processo certos valores, certas compreensões do que é a vida. Agora, a obrigação do juiz é decidir segundo a lei, segundo o fato e segundo as provas”, disse Moro. Nesse ponto, disse já ter absolvido por falta de provas réus que “no íntimo” achava serem culpados.

Ele não comentou a fala de ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, que disse esperar que as delações premiadas feitas na Lava Jato sejam espontâneas. “Não seria adequado eu comentar”, se esquivou. Em despacho sobre o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada, preso ontem na operação, Moro rebateu a tese de que as prisões preventivas são um expediente para obter delações premiadas. “Jamais este Juízo pretendeu com a medida obter confissões involuntárias”, escreveu.

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