Juiz da Lava Jato aponta ‘verdadeira fortuna’ de Renato Duque em contas secretas

Sérgio Moro, que conduz as ações sobre corrupção na Petrobrás, converteu prisão temporária em preventiva de ex-diretor de Serviços da estatal

Redação

18 de novembro de 2014 | 22h50

Por Ricardo Brandt, Cinthia Alves, especial para O Estado e Fausto Macedo

O juiz federal Sérgio Moro decidiu converter em preventiva (sem prazo) as prisões temporárias que venciam nesta terça-feira, 18, de dois executivos da OAS, dois da Camargo Corrêa e um da UTC Engenharia e do ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobrás Renato Duque – ligado ao PT. Os executivos são acusados de integrarem o chamado “clube” da propina – que loteava obras da estatal corrompendo políticos e agentes públicos. Duque seria o elo do grupo para divisão dos contratos.

“As provas apontam que ele (Duque), à semelhança de Paulo Roberto Costa (23 milhões de dólares) e de Pedro Barusco (100 milhões de dólares), mantém verdadeira fortuna em contas secretas mantidas no exterior, com a diferença de que os valores ainda não foram bloqueados, nem houve compromisso de devolução”, escreveu o magistrado.

As 25 prisões (19 temporárias e 6 preventivas) deflagradas na última sexta-feira fizeram parte da sétima etapa da Operação Lava Jato, que mirou os braços do PT, via Diretoria de Serviços, e do PMDB, via operador do partido, Fernando Soares, o Fernando Baiano, e 20 executivos do núcleo empresarial do esquema.

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“Dispondo de fortuna no exterior e mantendo-a oculta, em contas secretas, é evidente que (Duque) não pretende se submeter à sanção penal no caso de condenação criminal”, assinala o juiz ao fundamentar a necessidade da preventiva de Duque. “Corre-se, sem a preventiva, o risco do investigado tornar-se foragido e ainda fruir de fortuna criminosa, retirada dos cofres públicos e mantida no exterior, fora do alcance das autoridades públicas”.

Com a decisão de terça, são agora 11 executivos das maiores construtoras do País presos preventivamente na Lava Jato. Na sexta-feira, seis dos 25 alvos da Polícia Federal, já tinham prisão preventiva. eram eles Eduardo Hermelino Leite, da Construtora Camargo Corrêa, José Ricardo Nogueira Breghirolli, da OAS, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, da OAS, Sergio Cunha Mendes, da Mendes Júnior, Gerson de Mello Almada, da Engevix, e Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia.

Agora, ficarão presos preventivamente também José Aldemário Pinheiro, da OAS, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da OAS, João Ricardo Auler, da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, da Camargo Corrêa, e Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC Engenharia.

Para Moro, não se pode separar o núcleo empresarial do núcleo financeiro de lavagem de dinheiro coordenado pelo doleiro Alberto Youssef, nem dos demais envolvidos. “Os crimes narrados nas peças retratam uma empreitada delituosa comum, com a formação do cartel das empreiteiras, as frustrações das licitações, a lavagem de dinheiro, o pagamento de propina a agentes da Petrobrás e as fraudes documentais, todo o conjunto a merecer idênticas consequências.”

Dos executivos presos nessa etapa da operação, nove deles, um agente federal e um advogado foram soltos nesta terça.

São eles: Valdir Lima Carreiro (IESA), Otto Gartrido Sparenberg (IESA), Othon Zanoide Moraes Filho (Queiroz Galvão), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Alexandre Portela Barbosa (OAS), Walmir Pinhieiro Santana (UTC), Ednaldo Alves da Silva (UTC), Newton Prado (Engevix) e Carlos Eduardo Strauch Albero (Engevix), Carlos Alberto Costa Silva (advogado da UTC) e Jayme Alves de Oliveira Filho.

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