Juiz dá habeas e põe em liberdade 12 acusados de extorsão milionária contra empresário de bitcoins

Juiz dá habeas e põe em liberdade 12 acusados de extorsão milionária contra empresário de bitcoins

Entre os investigados estão cinco policiais civis, um tenente da Rota, três soldados e três empresários

Paulo Roberto Netto

22 de novembro de 2019 | 05h00

O juiz Marcello Ouvidio Lopes Guimarães, da 18.ª Vara Criminal de São Paulo, concedeu habeas corpus e colocou em liberdade doze suspeitos de extorsão milionária contra um empresário do ramo de bitcoins. Entre os investigados estão cinco policiais civis, um tenente da Rota, três soldados e três empresários.

A decisão beneficia os empresários Guilherme Aere e Marcelo Nogueira Chamma, os policiais civis Roger Hiroshi Toda, Tiago Antonio dos Santos Viana, Thomas Luiz Zan, Wailton Sena Rios e Geraldo Francisco Oliveira Subrinho; o proprietário de estande de tiro Matheus de Souza Paula; os policiais militares Ramon Almeida da Silva, Davi Carlos de Souza Queiroz e Amauri Moreira da Silva e o tenente da Rota José Ricerdo Nahrlich Júnior.

O caso ocorreu em junho, quando o empresário de bitcoins foi sequestrado por policiais e levado para o 73.º D.P. Ele foi acusado inicialmente de ser traficante de drogas e lavar dinheiro para organizações criminosas, mas os agentes revelaram que o levaram ali pois um dos clientes do empresário estava ‘descontente’ com os serviços prestados por ele.

Os agentes cobraram do empresário R$ 2 milhões em troca de sua liberdade.

Documento

Após convencer os policiais de que entregaria os valores, o empresário voltou a seu escritório e viabilizou a entrega de valores, que teria sido feita no próprio 73.º DP.

Após o ocorrido, o empresário alega ter sido abordado por um tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), que o ameaçou dizendo que ele ‘ficaria famoso com as informações que constavam’ em um envelope.

Ele tentou negociar com os policiais e com o empresário que estaria comandando a extorsão, mas não teve sucesso.

O empresário dos bitcoins denunciou a trama por ‘temer riscos à sua vida e a de seus familiares’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GUILHERME AERE

Os advogados Mauricio Silva Leite, Alexandre Sinigallia, Paola Forzenigo e Guilherme Coutinho, defensores do empresário Guilherme Aere, afirmaram que a decisão cumpre a Lei e a Constituição Federal, pois prestigia a presunção de inocência do acusado, como sempre deve ser no Estado Democrático de Direito. “Guilherme Aere continuará com sua postura sempre colaborativa perante as Autoridades e é o maior interessado no esclarecimento da verdade dos fatos.”

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