Justiça condena sete ex-diretores do Panamericano

Justiça condena sete ex-diretores do Panamericano

João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Federal Criminal, absolveu dez por crimes contra o sistema financeiro

Julia Affonso

08 Fevereiro 2018 | 17h49

Foto: Márcio Fernandes/Estadão

O juiz João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Federal Criminal, em São Paulo, condenou nesta quarta-feira, 7, sete acusados ligados ao Banco Panamericano por crimes contra o sistema financeiro nacional. O magistrado absolveu 10 réus.

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Em agosto de 2012, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou 14 ex-diretores e 3 ex-funcionários do Panamericano. A denúncia foi recebida em 3 de setembro daquele ano.

Segundo a Procuradoria da República, entre 2007 e 2010, os acusados fraudaram a contabilidade do banco, ‘melhorando o resultado dos balanços em pelo menos R$ 3,8 bilhões’. No mesmo período, afirmou a acusação, eles receberam da instituição financeira, em “bônus” e outros pagamentos irregulares, mais de R$ 100 milhões.

O ex-presidente do Conselho de Administração do banco Luiz Sebastião Sandoval foi condenado a seis anos e seis meses de reclusão, em regime inicial semiaberto.

O magistrado impôs ao ex-diretor superintendente Rafael Palladino uma pena de oito anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado. O ex-diretor financeiro do banco Wilson Roberto de Aro foi condenado a 12 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado.

O ex-chefe da contabilidade Marco Antônio Pereira da Silva foi condenado a dois anos de reclusão, em regime inicial aberto. O ex-dirigente de controladoria Cláudio Baracat Sauda pegou cinco anos em regime inicial semiaberto. O ex-diretor Adalberto Savioli recebeu seis anos e seis meses de reclusão, em regime inicial semiaberto e o ex-diretor jurídico Luiz Augusto Teixeira de Carvalho Bruno a dois anos de reclusão, em regime inicial aberto.

A sentença tem 326 páginas. Na decisão, o juiz federal João Batista Gonçalves afirma que ‘a aparência de regularidade financeira permitiu induzir em erro todos os que mantinham relacionamento com o Panamericano, produzindo a confiança necessária para continuar com captação de recursos do mercado, sem qualquer perspectiva de cumprimento de obrigações assumidas’.

Foram absolvidos o ex-diretor responsável pela área de tecnologia da informação do banco Eduardo de Ávila, o ex-diretor da empresa Panamericano Administradora de Cartões Antônio Carlos Quintas Carletto, o ex-responsável pela administração de carteiras de crédito e cessões Marcos Augusto Monteiro, o ex-diretor operacional da empresa Panamericano Seguros S.A., controlada pela Liderança Capitalização S.A., Maurício Bonafonte dos Santos, o ex-diretor comercial do Panamericano Carlos Roberto Vilani, os ex-dirigentes Elinton Bobrik, Mário Tadami Seo e o Vilmar Bernardes da Costa, o ex-diretor da Liderança Capitalização S.A. (controladora do Banco Panamericano), José Maria Corsi e o ex-membro do Conselho de Administração da instituição João Pedro Fassina.

A reportagem está tentando contato com a defesa de Marco Antônio Pereira da Silva.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALBERTO TORON, QUE DEFENDE LUIZ SANDOVAL

“Não vi a sentença ainda, apenas sei que o juiz o absolveu de uma ou duas práticas criminosas e condenou em outras. Isso causou surpresa que ele tenha absolvido alguns que participaram diretamente da administração do banco e condenado alguém que não participou da administração do banco com o Sandoval, que era do Conselho de Administração, portanto não participava da administração do banco. Vamos apelar da sentença quando formos intimados.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTÔNIO CLAUDIO MARIZ DE OLIVEIRA, QUE DEFENDE RAFAEL PALLADINO

“Eu ainda não li a sentença de forma aprofundada, mas vou recorrer com recurso de apelação. Vou contestar os fundamentos da condenação e vou também rebater a fundamentação que aumentou a pena de forma, no meu entender, exagerada. Espero que o Tribunal o absolva e caso isso não ocorra que diminua a pena para patamares consentâneos com a sua eventual responsabilidade.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO JOSÉ LUIS OLIVEIRA LIMA, QUE DEFENDE WILSON ROBERTO DE ARO

“Respeito a decisão da justiça, mas não concordo com o seu teor. No momento oportuno vamos recorrer perante o tribunal regional federal. José Luis Oliveira Lima”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GUSTAVO BADARÓ, QUE DEFENDE ADALBERTO SAVIOLI

“Acabei de ter acesso, a sentença é longa. De qualquer forma, o Adalberto havia sido acusado de cinco crimes, o Ministério Público pediu a absolvição dele em relação a quatro e ele foi absolvido de quatro crimes e condenado somente em relação a gestão fraudulenta. Mesmo assim a defesa considera injusta, ele não praticou crime algum e vai recorrer para que o Tribunal Regional Federal absolva o Adalberto do crime de gestão fraudulenta.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DAVID TEIXEIRA DE AZEVEDO, QUE DEFENDE CLÁUDIO BARACAT SAUDA E LUIZ AUGUSTO TEIXEIRA DE CARVALHO BRUNO

“A sentença será objeto de recurso no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região sob o fundamento de nulidade processual por cerceamento de defesa e pela falta de provas para condenação.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RENATO STANZIOLA VIEIRA, QUE DEFENDE EDUARDO DE ÁVILA

“Recebo com alento (a absolvição). Depois de quase 10 anos de colheita de provas, inclusive com provas de acusação, soube alguém perceber o que dizíamos desde o começo. O Eduardo jamais cometeu qualquer ato irregular. As atividades dele não eram de gestão, eram de suporte, ele jamais teve ciência de eventuais irregularidades contábeis e financeiras. O juiz foi de uma correção incomum. A atividade dele era técnica.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PIERPAOLO BOTTINI, QUE DEFENDE CARLOS VILANI

“Carlos Vilani era mero diretor comercial do banco, sem ciência ou participação nas atividades da área de crédito. Portanto, correto reconhecer sua inocência, algo que esperávamos desde o início.” Pierpaolo Cruz Bottini

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RODRIGO CARNEIRO MAIA, QUE DEFENDE ANTÔNIO CARLOS CARLETTO

“A absolvição do Antônio Carlos Carletto reflete a aplicação da Justiça, resultado de anos a fio de sofrimento, desgastes moral e psicológico sofridos. Confiamos na aplicação da Justiça por todo o durar do processo e isso ocorreu, de fato! Aguardamos que se ponha termo final neste processo, mantendo, a sentença absolutória, de primeira instância, em definitiva pois a sua inocência já está provada nos autos.”

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