Juiz condena cinco alvos da Operação Alba Vírus a mais de 48 anos de prisão por tráfico internacional de cocaína

Juiz condena cinco alvos da Operação Alba Vírus a mais de 48 anos de prisão por tráfico internacional de cocaína

Com a decisão de Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, ficam pendentes apenas duas sentenças de processos abertos na esteira da operação deflagrada em agosto do ano passado

Rayssa Motta e Fausto Macedo

17 de dezembro de 2020 | 06h00

O juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, condenou nesta quarta-feira, 16, mais cinco réus na Operação Alba Vírus. A ação aberta pela Polícia Federal em agosto do ano passado prendeu 12 pessoas sob suspeita de envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Documento

O magistrado sentenciou Janone Prado, Damaris de Almeida dos Santos Andrade, Rodrigo Alves dos Santos, Mário Márcio da Silva e Wanderley Almeida Conceição a penas que somam 48 anos, onze meses e 18 dias de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. À exceção de Conceição, todos devem cumprir as penas em regime inicial fechado.

No curso das investigações, os policiais federais apreenderam 21 celulares. Nos aparelhos, encontraram vídeos de operações clandestinas para envio de cocaína ao exterior através da ocultação da droga em cargas lícitas. Os alvos eram variados: desde frango congelado até pedras de ardósia e sacos de amianto.

“Os vídeos em questão foram feitos para serem encaminhados ao destinatário final da droga, comprovando o efetivo embarque do produto e demonstrando o local exato onde ele foi ocultado, com o intuito de ludibriar as autoridades policiais e alfandegárias dos países de origem e destino, o que, logicamente, impediu a apreensão da droga pela Polícia Federal”, diz um trecho da sentença.

Apreensão de dinheiro na Operação Alba Vírus. Foto: Polícia Federal

Nas gravações, os agentes identificaram dois dos condenados nesta etapa: Rodrigo e Mário Márcio. Este último, que é policial militar reformado, chegou a ser preso em flagrante a caminho de uma casa no Guarujá, também no litoral paulista, onde foram encontrados 968 quilos de cocaína e R$ 1.020.650 em espécie. Além de esconder a droga em contêineres, ele ajudaria na logística do tráfico, afirma o Ministério Público Federal.

O casal Janone e Damaris é apontado como integrante do braço financeiro da organização. Durante outra fase de buscas, cumpridas na casa dos dois em Iatajaí, no litoral norte de Santa Catarina, a Polícia Federal afirma ter encontrado um caderno para a ‘contabilização’ do tráfico. “Possui anotações referentes à distribuição do dinheiro oriundo da prática criminosa entre os diversos membros do grupo, bem como registros sobre a compra de vários itens utilizados para o desenvolvimento da traficância, tais como sinalizadores, boias, cordas, redes, etc.”, explica o juiz na sentença.

Wanderley, por sua vez, é apontado pelo Ministério Público Federal como responsável pela aquisição de equipamentos usados no embalo e envio da cocaína ao exterior e pelo auxílio no armazenamento, distribuição e transporte da droga.

“Como se pode observar, portanto, a prova da materialidade delitiva em relação a esse crime se encontra amplamente reproduzida nos documentos antes mencionados”, escreveu o juiz.

Com a decisão, apenas duas sentenças estão pendentes, uma envolve um suspeito foragido e a outra está relacionada a Eduardo Oliveira Cardoso, custodiado na Espanha.

Operação Alba Vírus 

A operação foi deflagrada em agosto de 2019 para desarticular um grupo que usava portos brasileiros para o tráfico internacional de drogas em navios cargueiros. Durante a ação, 12 pessoas foram presas e US$ 7,2 milhões e R$ 1,6 milhão em espécie apreendidos.

Segundo as investigações apontaram na época, a organização criminosa inseria cocaína em contêineres embarcados para países da Europa por meio dos portos de Santos, Paranaguá e Navegantes e usava empresas de fachada com atuação na logística portuária. Em geral, a droga era escondida sem que os verdadeiros donos das cargas tivessem conhecimento, apontou a PF.

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