Juiz abre ação contra fiscal da Carne Fraca por destruição de provas

Juiz abre ação contra fiscal da Carne Fraca por destruição de provas

Marcos Josegrei, magistrado da 14.ª Vara Federal de Curitiba, recebe denúncia da Procuradoria da República contra Francisco Carlos de Assis, ex-superintendente do Ministério da Agricultura em Goiás, por organização criminosa

Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Julia Affonso

04 Julho 2017 | 05h02

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O juiz da 14.ª Vara Federal do Paraná, Marcos Josegrei, recebeu denúncia criminal e abriu ação contra o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura em Goiás, Francisco Carlos de Assis, preso preventivamente no âmbito da Operação Antídoto, segunda fase da Carne Fraca, após ter sido flagrado em grampos da Polícia Federal afirmando que ‘rasgou’ documentos e deletou mensagens de WhatsApp supostamente com o fim de destruir provas.

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Assis é acusado formalmente pelo Ministério Público Federal ao ‘embaraçar’, ‘por meio da destruição de documentos e dados teleméticos, investigação de infrações penais que envolvia organização criminosa’. Ele também é investigado por driblar mandados de prisão coercitiva.

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O ex-superintendente é réu na Operação Carne Fraca por supostamente ter pedido propinas a Roney Nogueira, executivo da BFR, para evitar a suspensão das atividades do frigorífico Mineiros, em Goiás, ligada à empresa do setor agropecuário. Segundo as investigações, o Assis teria recebido uma ‘renda extra’ de R$ 5 mil em propinas de empresas fiscalizadas por ele e ainda chegou a pedir peças de carne e frango como propina ao agente da BRF.

De acordo com o juiz federal Marcos Josegrei, consta do inquérito policial que o ex-superindentente informou endereço onde não residia mais às autoridades, quando já era réu da Carne Fraca. No dia 17 de março uma tentativa de condução coercitiva contra Francisco foi frustrada.

“Após, em 20 de marçoç de 2017, Francisco compareceu espontaneamente para prestar declarações na Polícia Federal, fornecendo o mesmo endereço no qual não havia sido encontrado. Dois dias antes, em 18 de março de 2017, foram captados diálogos telefônicos com autorização judicial em que Francisco contou para sua autorização judicial em que Francisco contou para sua namorada/amante Luciana de Souza Moraes que picotou documentos e apagou conversas gravadas”, anota o magistrado.

Nos diálogos grampeados pela Polícia Federal, Assis chega a dizer que estava com ‘dores nas mãos’ de tanto rasgar documentos, e afirma ainda que apagou conversas em aplicativos de celular.

‘LUCIANA: oi amor
FRANCISCO: oi amor. Eu acabei de rasgar as coisa
aqui. Rasguei tudo bem picotadinho.
LUCIANA: ah tá
FRANCISCO: nossa, eu tô com os dedo até doendo!
LUCIANA: ah…mas arrumou tudo né?
FRANCISCO: arrumei
(…)
FRANCISCO: (…) amor, eu achei aqui ó – treze do oito
de dois mil e quinze, que eu saí de lá. Não, oito do sete
de dois mil e quinze.
LUCIANA: ah tá. Eu falei…eu achava que era 2015, cê
lembra?
FRANCISCO: lembro
LUCIANA: cê falou não, é 2014. É 2015 né?
FRANCISCO: foi julho de 2015
(…)’

Francisco Carlos de Assis foi exonerado do Ministério da Agricultura em julho de 2015, segundo informações do Ministério da Agricultura. Apesar de não integrar o quadro efetivo de funcionários, o ex-superintendente responde administrativamente pelo período em que exerceu cargo de confiança sendo, portanto, já investigado em Processo Administrativo Disciplinar (PAD), aberto em março deste ano pelo Mapa.

 

 

 

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