Jucá defendeu Constituinte para enfraquecer Ministério Público, diz Machado

Jucá defendeu Constituinte para enfraquecer Ministério Público, diz Machado

Segundo ex-presidente da Transpetro, medida faria parte de ‘Acordão’ para barrar investigações

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

16 de junho de 2016 | 12h21

Romero Jucá. Foto: Estadão

Romero Jucá. Foto: Estadão

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou em sua delação premiada que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) sinalizou com uma Constituinte, em 2018, para rever os poderes do Ministério Público. A estratégia faria parte do ‘acordão’ para barrar investigações.

A Constituinte é uma assembleia que reúne parlamentares para reformar ou criar a Constituição. No Brasil, a última Assembleia Constituinte foi formada em 1987, dois anos após o fim do regime militar (1964-1985). Em outubro de 1988, foi promulgada a nova Carta Magna.

Machado afirmou. “O senador Romero Jucá sinalizou que a solução política poderia ser ou no sentido de estancar a Operação Lava Jato, impedindo que ela avançasse sobre outros políticos, ou na forma de uma constituinte; que Jucá aventou que essa constituinte poderia acontecer em 2018 e nela se poderiam rever os poderes do Ministério Público com o viés de reduzi-los.”

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Segundo Machado, a declaração teria sido dada durante encontro entre ele e Jucá. O delator disse que foi a Brasília em 10 e 11 de março deste ano. Nos dois dias, relatou o delator à Procuradoria-Geral da República, conversou com os Romero Jucá, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP), primeiro com cada um e depois com Renan e Sarney juntos.

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“Novamente falaram sobre o que se estava pensando acerca da Operação Lava Jato e o que poderia ser feito para limitá-la; que também falaram sobre como evitar que o inquérito do depoente fosse desmembrado do inquérito do senador Renan Calheiros e remetido à Vara de Curitiba”, declarou.

“A primeira conversa foi com o senador Romero Jucá, na casa deste, no SMDB, em Brasília/DF; que o senador Romero Jucá confidenciou sobre tratativas com o PSDB nesse sentido facilitadas pelo receio de todos os políticos com as implicações da Operação Lava Jato; que essas tratativas não se limitavam ao PSDB, pois quase todos os políticos estavam tratando disso, como ficou claro para o depoente.”

Romero Jucá também foi citado por Machado como um dos políticos do PMDB que recebeu um mensalão de propina entre 2008 a 2014. Os pagamentos começaram depois que o senador Edison Lobão (MA) foi nomeado ministro das Minas e Energia, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o delator. Os valores eram de R$ 200 mil a R$ 300 mil por mês.

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