‘Juca Bala’ repassou US$ 3 mi da Odebrecht a Cabral em Andorra, diz denúncia

‘Juca Bala’ repassou US$ 3 mi da Odebrecht a Cabral em Andorra, diz denúncia

Segundo Procuradoria, doleiro preso no Uruguai operacionalizou dinheiro ilícito a ex-governador do Rio por meio do Banco BPA de Andorra

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

08 Março 2017 | 14h07

CORRECAO DE CREDITO WILT9044_Cropped.jpg RIO DE JANEIRO RJ 17/11/2016 POLITICA OPERAÇÃO CALICUTE / LAVA JATO Ex governador Sergio Cabral deixa o carro da Policia Federal no IML para onde foi levado para fazer exame de corpo de delito. Cabral foi preso esta manha pela Operação Calicute Foto:WILTON JUNIOR / ESTADAO

Sérgio Cabral Foto:WILTON JUNIOR / ESTADAO

Na nova denúncia apresentada nesta quarta-feira, 8, contra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e seu grupo, a força-tarefa da Lava Jato no Rio acusa pela primeira vez os doleiros Vinícius Claret, conhecido como ‘Juca Bala’ e preso na última sexta-feira no Uruguai em uma operação conjunta da Procuradoria-Geral da República com as autoridades do país vizinho e seu sócio Claudio Souza, que usava os apelidos ‘Tony’ e ‘Peter’.

A Procuradoria aponta que ‘Juca Bala’ teria sido o responsável por operacionalizar o recebimento de propina de US$ 3.081.460,00 da Odebrecht para Cabral, por meio do Banco BPA de Andorra em contrato de fachada firmado com uma empresa em nome de um dos irmãos Chebar, doleiros e operadores do mercado financeiro que fizeram delação premiada, e Timothy Scorah Lynn, também denunciado nesta quarta.

Na denúncia, a Procuradoria não detalha qual o motivo do pagamento ilícito da empreiteira, mas identificou que ele tinha ligação com a construtora ao rastrear as movimentações financeiras de Juca Bala, que era um dos operadores de propina do grupo Odebrecht. Ao todo, foram nove transferências no exterior entre 25 de maio de 2011 e 27 de janeiro de 2014 da empresa utilizada por Juca Bala para uma empresa criada por Renato Chebar que totalizaram os US$ 3 mi.

As transferências foram justificadas por meio de contratos de fachada, assinados por Timothy Lynn, que segundo delatores recebia da Odebrecht para assinar como representante de empresas usadas pelos doleiros e operadores de propinas

O nome de ‘Juca Bala’ apareceu pela primeira vez nas delações premiadas dos operadores financeiros Marcelo e Renato Chebar, que cuidavam das contas de Cabral no exterior. Segundo eles, a partir de 2007, com a ascensão do peemedebista ao governo do Rio, o esquema ilícito de Cabral começou a movimentar mais dinheiro do que eles davam conta de lavar por meio de bancos no exterior para o peemedebista.

“Que, com o aumento do ingresso do volume de recursos, precisou comprar dólares no mercado paralelo, pois as operações com os clientes do IDB/NY (Israel Discount Bank of New York) já não eram mais suficientes; que passou a acionar um doleiro de apelido ‘Juca’; que acredita que o primeiro nome de Juca seja ‘Vinícius’, mas não pode dizer com certeza pois nunca viu documentação que comprovasse tal fato”, contou Renato Chebar em sua delação.

Com as informações, a Procuradoria da República rastreou o paradeiro de Juca Bala em parceria com a Interpol e as autoridades uruguaias que o prenderam na sexta-feira, 3, cumprindo uma determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio, que acatou o pedido de prisão da força-tarefa da Lava Jato no Estado. Atualmente ele e se sócio Cláudio Fernando Barbosa estão detidos no país vizinho aguardando o processo de extradição.

Os dois são acusados de atuar na complexa rede arquitetada pelo grupo criminoso liderado pelo ex-governador que incluia contas offshore em paraísos fiscais em nomes de terceiros e até a compra de joias e ouro para lavar o dinheiro da propina.

“Os conjuntos de atos de lavagem de dinheiro narrados tinham por objetivo converter os recursos de propina em ativos de aparência lícita e/ou distanciar ainda mais de sua origem ilícita o dinheiro derivado de crimes de corrupção praticados pela organização criminosa”, segue a Procuradoria da República.

A denúncia desta quarta-feira, 8, aponta os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro praticados pelo ex-governador, seu grupo e os doleiros. Ainda segundo o MPF, “diante da grandiosidade do esquema criminoso”, a denúncia ainda não esgota todos os crimes praticados pelo grupo.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE SÉRGIO CABRAL:

A reportagem entrou em contato com o escritório que defende o ex-governador Sérgio Cabral, mas o advogado do peemedebista estava em reunião e ainda não retornou o contato.

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