Jovem negro de 17 anos chicoteado porque furtou uma barra de chocolate

Jovem negro de 17 anos chicoteado porque furtou uma barra de chocolate

Rapaz contou na 80.ª Delegacia de Polícia, em Vila Joaniza, extremo Sul de São Paulo, que foi torturado durante cerca de 40 minutos por dois seguranças do supermercado Ricoy após ter sido flagrado pegando a guloseima

Luiz Vassallo

02 de setembro de 2019 | 20h01

O rapaz de 17 anos afirmou à Polícia Civil ter sido ameaçado de morte por um dos seguranças do supermercado Ricoy para que não relatasse às autoridades ter sido vítima de uma sessão de tortura que envolveu chicotadas após tentar furtar uma barra de chocolate do estabelecimento.

Ele prestou depoimento ao 80º Distrito Policial, da Villa Joaniza, no Sul de São Paulo, após o vídeo das agressões cair na internet e virar alvo de inquérito policial.

A Polícia Civil chegou a pedir informações ao mercado sobre os dois seguranças, reconhecidos pelo jovem como ‘Santos’ e ‘Neto’. Os investigadores querem interrogá-los.

O rapaz afirmou que, no mês passado, ‘em data que não recorda, ‘dentro do Supermercado Ricoy, instalado no local dos fatos, onde apanhou das gôndolas uma barra de chocolate e tentou sair sem efetuar o pagamento’. “Foi abordado na saída pela pessoa de Santos, segurança do local, o qual conhece já há algum tempo”.

“Ele foi auxiliado por Neto que juntos levaram a vítima até um quarto nos fundos da loja”, narrou.

O jovem acrescentou. “Ali a vítima foi despida, amordaçada, amarrada e passou a ser torturada com um chicote de fios elétricos trançados. Ali, permaneceu por cerca de quarenta minutos, sendo agredido o tempo todo”.

“Não sabe dizer se mais alguém percebeu que aqueles seguranças o levaram para dentro daquele quarto onde foi espancado”, consta no termo de depoimento.

“Depois de apanhar bastante foi liberado pelos agressores e não quis registrar boletim de ocorrência pois temia pela sua vida. Na saída do supermercado ouviu santos dizer que caso falasse algo para alguém iria matá-lo”, concluiu.

Ele foi acompanhado pelo advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos). “Estarei acompanhando as investigações e cobrando a punição dos responsáveis por esses atos bárbaros e cruéis de Tortura”.

“Existem indícios contundentes de crime de tortura praticado pelos seguranças. A tortura ocorre quando alguém é submetido, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental. A lei 9455 de 1997, prevê penas de 2 a 8 anos aos acusados. A tortura é considerada um crime hediondo”, afirma o advogado.

COM A PALAVRA, O SUPERMERCADO RICOY

A reportagem busca contato. O espaço está aberto para manifestação. (luiz.vassallo@estadao.com).

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