José Maria Eymael, o ‘democrata cristão’, também recebeu caixa 2 da Odebrecht

José Maria Eymael, o ‘democrata cristão’, também recebeu caixa 2 da Odebrecht

Dois delatores afirmaram à Lava Jato que candidato do PSDC recebeu R$ 50 mil, na campanha presidencial de 2010, do 'setor de propinas'; caso foi enviado por ministro Edson Fachin para Justiça em São Paulo

Breno Pires, de Brasília, Ricardo Brandt e Julia Affonso

12 de abril de 2017 | 12h32

José Maria Eymael, candidato do PSDC. Foto: ALEX SILVA/AE

José Maria Eymael, candidato do PSDC. Foto: ALEX SILVA/AE

Os delatores da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Operação Lava Jato que o fundador do PSDC, José Maria Eymael, recebeu dinheiro de caixa 2 do Setor de Operações Estruturadas do grupo – o chamado “departamento da propina”. Foram R$ 50 mil para sua campanha presidencial de 2010.

“Segundo o Ministério Público, relatam os colaboradores o pagamento de vantagens indevidas não contabilizadas (R$ 50.000,00), no âmbito de campanha eleitoral de José Maria Eymael à Presidência da República, ano de 2010”, informa a petição 6721/DF, enviada para a primeira instância pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato, de alvos com foro privilegiado.

É a primeira vez que Eymael – do jingle-chiclete “Eeeeymael, o democrata cristão” – aparece no escândalo da Lava Jato. Candidato a presidência por quatro vezes (1998, 2006, 2010 e 2014), o ex-deputado deve ser investigado em São Paulo.

PETIÇÃO EYMAEL

Fachin enviou a petição 6721/DF, da Procuradoria Geral da República (PGR), para a Justiça Federal em São Paulo.

“Afirmando que não existe menção a crimes praticados por autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função nesta Corte, requer o Procurador-Geral da República o reconhecimento da incompetência do Supremo Tribunal Federal para a apuração dos fatos, enviando-se o citado termo à Procuradoria da República em São Paulo.”

Eymael foi citado nas delações de Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa da Silva Júnior.

COM A PALAVRA, JOSÉ MARIA EYMAEL

Eu, José Maria Eymael, Deputado Federal Constituinte e Presidente Nacional do PSDC, Partido Social Democrata Cristão, face às notícias veiculadas pela mídia nacional, nesta quarta-feira, 12 de abril de 2017, destacando o meu nome, com especial ênfase, como beneficiário de uma doação de R$ 50.000,00, não declarados em minha campanha à Presidência da República em 2010, venho categoricamente afirmar a Nação:

1- Não recebi e não autorizei ninguém a receber, do Grupo Odebrecht ou de qualquer outra fonte, recursos ilegais e incapazes de serem declarados à Justiça Eleitoral.

2- Reafirmo meus pronunciamentos da Campanha de 2010 e 2014, exigindo Auditoria Independente das Contas Públicas. Auditoria capilarizada, enraizada, disseminada, chegando a todos os lugares onde o dinheiro público corra risco.
Matar a corrupção em seu nascedouro, em seu ninho. E prender os corruptos!

3- À Justiça, peço a imediata e total apuração desta infame e improcedente citação.

4- Manifesto minha indignação ao ver a associação de meu nome, à pretensa irregularidade eleitoral, em preliminar Petição, ser divulgada como se verdade fosse, e logo após ter, em rede nacional de rádio e televisão repudiado a chaga aberta e pútrida da corrupção e condenado, como sempre, a vergonha do Foro Privilegiado.

5- Indignação, quando o destaque de meu nome, em uma Petição que não me faz nenhuma acusação, e que tem a única finalidade de encaminhar depoimentos, se contrapõe a toda uma vida dedicada à causa pública, fundamentada no princípio que escrevi no Inciso I do Art. 3º da Constituição Federal: construir uma sociedade livre, justa e solidária! Contrapor à dignidade de uma vida!

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