Joesley relata mensais de R$ 200 mil para Marta

Joesley relata mensais de R$ 200 mil para Marta

Executivo conta à Procuradoria que JBS fez os repasses durante pelo menos 15 meses e que também doou R$ 1 milhão para campanha da senadora em 2010, sendo R$ 500 mil em espécie

Natália Oliveira, especial para o Blog

21 de maio de 2017 | 05h00

FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO

O delator Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República que o Grupo JBS contribuiu com R$ 1 milhão na campanha de Marta Suplicy (então no PT),em 2010, para o Senado. Desse valor, segundo Joesley, metade foi repassado em forma de doação oficial, ou seja, registrado ao Tribunal Superior Eleitoral. Os outros R$ 500 mil teriam sido pagos em espécie. Além disso, o executivo contou que, entre 2015 e 2016, manteve o pagamento de uma mensalidade para Marta no valor de R$ 200 mil por pelo menos 15 meses.

Durante depoimento, o dono do grupo J&F disse conhecer bem a senadora e o marido dela, o empresário Márcio Toledo. Joesley contou que foi apresentado aos dois pelo ex-ministro Antônio Palocci em 2010. “Um dia ele (Palocci) chegou e disse: Joesley, a Marta é candidata ao senado, ficou sabendo que eu te conheço e pediu para eu te apresentar a ela”. Em seguida, o delator afirmou ter ido ao escritório de Marta e negociado a contribuição de um milhão de reais para a campanha da PMDBista ao Senado.

Segundo Joesley, depois disso voltou a se aproximar da parlamentar durante a campanha de 2015 para 2016, quando Marta estava se candidatando à Prefeitura de São Paulo. Nesse período o acionista da JBS afirma que a senadora do PMDB teria pedido uma espécie de mesada ao empresário: “Ela me perguntou se eu podia dar uma mensalidade lá para eles. Ela dizia ser da campanha. E aí foi pago mensalmente 200 mil reais durante um bom período.”

Os R$ 200 mil mensais foram pagos por pelo menos um ano e três meses, de acordo com Joesley. A transação era feita entre o marido de Marta, Márcio Toledo, e Florisvaldo Caetano de Oliveira, ex-conselheiro fiscal da JBS e também delator.

“O Márcio ligava direto pro Florisvaldo todo mês e ele entregava.”

Florisvaldo relatou, em seu depoimento à Procuradoria-Geral da República, que costumava entregar o dinheiro para Toledo em um intervalo de 40 dias e que o local da entrega variava. “Uma vez ele entrou na garagem no meu escritório eu entreguei para ele na garagem e ele nem saiu do carro”, contou Florisvaldo, que também descreveu encontros com o marido de Marta no Shopping Iguatemi em São Paulo.

O pagamento foi cancelado, de acordo com Joesley, quando ele ‘começou a ser pressionado por Marta para financiar sua campanha à Prefeitura’. Na época, segundo o empresário, esse tipo de financiamento já estava proibido e se ligar à Prefeitura paulistana ‘não era interesse da JBS’. Com isso, o executivo diz que se afastou da senadora e parou de fazer o pagamento a ela.

COM A PALAVRA, MARTA

“Na chocante confissão de improbidade de Joesley Batista há verdades e mentiras. Confirmo a declaração dele de que nunca me pediu e nunca lhe fiz nenhum favor ou benefício, nem particular, nem institucional. Confirmo a doação oficial, e única, feita para minha campanha ao Senado, que presumo tenha saído da contabilidade regular da empresa dele porque ele sabia que esse dinheiro seria declarado ao TSE, como efetivamente foi.”

“Desminto, enfaticamente, qualquer outra doação. É absurda a afirmação de que suas empresas tivessem me doado qualquer valor mensal para minha campanha à Prefeitura de São Paulo em 2016. Foi pedida uma contribuição da pessoa física, que foi negada. Nada foi doado e nada foi pago ou recebido. Aliás, a campanha eleitoral não durou 15 meses e, repito, nada foi doado por esse grupo à minha campanha para Prefeitura. Tomarei as providências cabíveis para esclarecer legal e devidamente essas afirmações falsas.”
Marta Suplicy, senadora.

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