Joesley diz que Eduardo Cunha e Funaro pegaram R$ 7 mi em propinas por esquema na Agricultura

Joesley diz que Eduardo Cunha e Funaro pegaram R$ 7 mi em propinas por esquema na Agricultura

Executivo da JBS, delator da Operação Patmos, contou aos procuradores que conheceu o ex-presidente da Câmara no gabinete do então ministro Antônio Andrade e passou a ser cobrado pelo operador do ex-deputado

Eduardo Rodrigues, de Brasília

21 de maio de 2017 | 17h21

Eduardo Cunha. Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

A delação do dono do grupo J&F, Joesley Batista, mostra como um esquema do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria lucrado pelo menos R$ 7 milhões em propinas pagas pelo empresário para a liberação de medidas importantes para a JBS no Ministério da Agricultura.

Josley contou aos procuradores do Ministério Público Federal que conheceu Cunha no gabinete do então ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB), e passou ser cobrado pelo operador do ex-deputado, Lúcio Funaro.

Esse primeiro encontro com Cunha, no entanto, quase acabou em briga. Na época, a JBS defendia que a fiscalização sanitária dos frigoríficos fosse inteiramente federalizada, acabando com as instâncias municipais e estaduais, o que gerou descontamento da parte de muitos prefeitos.

“O Eduardo (Cunha) entrou na conversa reclamando que eu estava dando uma missão impossível pra ele, que a federalização era difícil demais, que eles não ganhavam nada com aquilo, ficavam trabalhando de graça”, relatou Joesley. “Ele já entrou no gabinete (de Andrade) reclamando do assunto, que não dava para faturar. O ministro Toninho teve até que apartar lá porque eu fiquei chateado com ele me chantageando. O Toninho disse espera aí, vocês não vão brigar aqui no meu gabinete”, completou.

Após esse episódio, no entanto, Joesley aceitou repassar pagamentos para Cunha por meio de Funaro.

Segundo ele, esse grupo havia conseguido nomear o então secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Rodrigo Figueiredo. “Eu estava lá morrendo de medo deles aparelharem o Ministério da Agricultura e eu ficar na mão deles de novo. Já estava na mão deles na Caixa, já tava no FI-FGTS”, acrescentou o empresário.

O primeiro pagamento relacionado à Pasta ocorreu quando houve a liberação para a exportação de despojos animais. De acordo com Joesley, a JBS nem havia pleiteado a medida, mas foi cobrada em R$ 2 milhões por Funaro. “E teve um que eu pedi que era sobre vermífugos. Isso era muito importante para o Brasil, tanto que depois até mudou a norma nos Estados Unidos. Esse eu paguei R$ 5 milhões. Eu tinha um helicóptero lá e entrou como meio de pagamento”, acrescentou.

Segundo Joesley, a desoneração da folha de pagamento da cadeia de produção de frango também ocorreu a pedido da JBS, mas sem o pagamento de propina.

Considerando as valores pagos pelo grupo J&F no Ministério da Agricultura, na Caixa e no FI-FGTS, Cunha e Funaro teriam recebido R$ 170 milhões em propinas de Joesley, além de R$ 20 milhões entregues apenas ao ex-presidente da Câmara.

De acordo com o delator, os pagamentos no ministério foram menores porque a pasta já seria muito loteada, o que impediu que Cunha e Funaro montassem um esquema mais abrangente. “Eu disse duzentas vezes (a Funaro) que no Ministério da Agricultura não tem nada pra fazer. O ministério é muito loteado, cada postozinho é um deputado ou senador que indicou. Então, não tem uma organização completa (fazendo um gesto de uma pirâmide), não tem um aparelhamento organizado”, concluiu.

COM A PALAVRA, ANTONIO ANDRADE, VICE-GOVERNADOR DE MINAS

O vice-governdor de Minas, Antonio Andrade, esclareceu nesta segunda-feira, 22, que não é acusado nas delações da J&F.

Andrade destacou que as citações a seu nome ‘ocorreram em agenda oficial, pública’.
O vice-governador de Minas anotou, ainda, que ‘a relação que se estabeleceu depois entre um líder partidário e um grande empresário não é de sua responsabilidade’
Antonio Andrade declarou apoio à Lava Jato.

LEIA A ÍNTEGRA DOS ESCLARECIMENTOS DE ANTONIO ANDRADE

“Ressalto que não sou acusado de nada nas delações da J&F. As citações que envolvem meu nome ocorreram em agenda oficial, pública, quando eu era ministro da Agricultura. Cargo que ocupei por indicação do meu partido, com então 81 deputados na Câmara. Garanto que nada de impróprio aconteceu naquela audiência. Já a relação que se estabeleceu depois entre um líder partidário e um grande empresário não é da minha responsabilidade. Em sintonia com a posição da maioria das mineiras e dos mineiros, apoio as investigações do Ministério Público e espero que a Justiça puna os culpados”.

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