João Santana e mulher começam a depor na Polícia Federal às 14h30

João Santana e mulher começam a depor na Polícia Federal às 14h30

Marqueteiros do PT, presos na Operação Acarajé, serão questionados sobre supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e ocultação patrimonial; dinheiro desviado da Petrobrás pode ter abastecido contas do casal, suspeita força-tarefa

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

24 de fevereiro de 2016 | 12h40

O ex-marqueteiro do PT João Santana em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

O ex-marqueteiro do PT João Santana em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

Os depoimentos do marqueteiro do PT João Santana e da mulher e sócia, Mônica Moura, para a Polícia Federal começam às 14h30, em Curitiba. Os dois estão presos desde ontem, alvos da Operação Acarajés – 23ª fase da Lava Jato -, que mira a lavagem de dinheiro, fruto do esquema de corrupção na Petrobrás, por meio de contas secretas e operadores financeiros e evasão de divisas.

A força-tarefa da Lava Jato considera ter reunido “contundentes” elementos que apontam para o recebimento irregular de US$ 7,5 milhões do casal de marqueteiros do PT. Os pagamentos teriam sido feitos entre 2012 e 2014 pela Odebrecht, acusada de ser uma das líderes do cartel que fatiava obras na Petrobrás, e pelo operador de propinas Zwi Skornicki, lobista do estaleiro Keppel Fels.

Nos depoimentos, na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, os delegados vão querer saber dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial supostamente praticados pelo casal de marqueteiros.

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“Não estamos apurando crime eleitoral, nosso interesse é o suposto crime de lavagem de dinheiro”, afirmou o delegado Filipe Hille Pace. Desde 2014, a Lava Jato mira o uso de doações a partidos e campanhas como forma de ocultação de propina do esquema de fatiamento político da Petrobrás entre PT, PMDB e PP. Desde o início do mês, os documentos e provas da Lava Jato passaram a ser compartilhados com o Tribunal Superior Eleitoral – que analisará a questão sob o foco de crime eleitoral.

A evolução patrimonial do casal e os recebimentos no Brasil também são alvo das apurações, para averiguar ocultação de bens, como o apartamento de R$ 3 milhões bloqueado pela Justiça e lavagem de dinheiro. O patrimônio de João Santana e Mônica saltou de R$ 1 milhão, em 2004, para R$ 70 milhões, em 2014.

“Embora não existam indícios de que esses valores, recebidos no Brasil e declarados às autoridades fiscais, sejam ilícitos, há fortíssimas suspeitas de que os valores recebidos pelos representados João Santana e Mônica Moura no exterior, de forma subreptícia e dissimulada, sejam provenientes do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro perpetrado no seio e em desfavor da Petrobrás e estejam vinculados à prestação dos referidos serviços ao Partido dos Trabalhadores – PT”, escreveram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, no pedido de prisão dos marqueteiros.

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