João de Deus além das fronteiras

João de Deus além das fronteiras

Força-tarefa do Ministério Público de Goiás conduziu nesta sexta, 14, via canais de denúncia, atendimentos em seis países - Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça

Paulo Roberto Netto

14 de dezembro de 2018 | 20h18

O médium João de Deus. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP

A força-tarefa instaurada pelo Ministério Público de Goiás para apurar as acusações contra o médium João de Deus por assédio e abuso sexual conduziu atendimentos em seis países nesta sexta, 14, via canais de denúncia. Os relatos vieram da Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça.

Desde o último domingo, 10, quando as primeiras acusações foram reveladas pelo Jornal Nacional e pelo Conversa com Bial, ambos da TV Globo, a promotoria de Abadiânia, em Goiás, recebeu 335 denúncias contra João de Deus. As acusações vieram de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará, Santa Catarina, Piauí e Maranhão.

Nesta sexta, a Justiça de Goiás decretou a prisão preventiva de João de Deus. Ele ainda não foi localizado, mas sua defesa está negociando sua apresentação aos policiais. O médium é acusado de abusar sexualmente de mulheres que buscavam atendimento no Centro Dom Inácio Loyola, em Abadiânia. Segundo a Promotoria, João de Deus oferecia “atendimentos particulares” após as sessões, momento em que os abusos seriam cometidos.

O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende João de Deus, afirmou que o pedido de prisão é “descabido” e pediu à Justiça que o médium permaneça em liberdade e possa conduzir seus atendimentos de forma assistida, com a presença de policiais ou câmeras de segurança.

Desde o início do caso, João de Deus se pronunciou apenas uma vez sobre o caso. Ao chegar na Casa Dom Inácio na quarta, 12, afirmou que cumpriria a lei brasileira e disse ser inocente das acusações. “Eu estou na mão da lei brasileira. O João de Deus ainda está vivo”, afirmou.