Janot vê ‘fortes indícios de lavagem de dinheiro’ em empresa de Perrella

Janot vê ‘fortes indícios de lavagem de dinheiro’ em empresa de Perrella

Procurador-geral da República quer investigação específica sobre destinação dos R$ 2 milhões que Aécio Neves teria recebido em propinas da JBS; parte do montante entrou no caixa da Tapera Participações, do filho do senador peemedebista de Minas

Luiz Vassallo, Julia Affonso, Breno Pires e Isadora Peron

05 de junho de 2017 | 05h00

Zezé Perrella e Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O procurador-geral da República Rodrigo Janot apontou, na cota da denúncia – expediente por meio do qual a Procuradoria sugere uma série de novas medidas – por obstrução de Justiça e corrupção passiva contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que existem ‘fortes indícios’ de lavagem de dinheiro relacionados a empresas do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

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A Tapera Participações, que está em nome do filho do parlamentar, foi a destinatária de parte dos R$ 2 milhões entregues pela JBS a Aécio, sustenta Janot. O repasse foi filmado e gravado em ação controlada da Polícia Federal.

Nesta semana, o Estado revelou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) comunicou à Procuradoria-Geral da República a identificação de movimentações ‘suspeitas’, nos últimos três anos, que totalizaram R$ 21 milhões nas contas de empresas ligadas ao senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Entre elas, estão um saque de R$ 103 mil de Gustavo Perrella, filho de Zeze, no dia seguinte às ação controlada em que Mendherson Souza, assessor do senador, recebeu malas de dinheiro de Frederico Pacheco, primo de Aécio – pouco antes, ele havia pego os valores com o diretor de relações Institucionais da J&F Ricardo Saud.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também vê indícios de lavagem de dinheiro do ‘motorista’ do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). O documento apontou que a movimentação de recursos da conta de Braulio de Campos Pimenta, em agência do Congresso, é ‘incompatível com o patrimônio e em benefícios de terceiros’.

Na denúncia, Aécio e Andrea são acusados de corrupção passiva. O tucano também foi denunciado por obstrução de Justiça.

Já na cota da denúncia, onde pediu novo inquérito contra Aécio por propinas de R$ 60 milhões da JBS, no âmbito das eleições de 2014, Janot também afirmou que os fatos relacionados à Tapera Participações, que teria recebido parte dos R$ 2 milhões da JBS a Aécio, precisam ser ‘melhor investigados’.

“Essas evidências demonstram que há fortes indícios de que a empresa ENM Auditoria e Consultoria e a empresa Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários Ltda são utilizadas como instrumento de lavagem de dinheiro de recursos recebidos ilicitamente”, afirma o procurador-geral da República.

Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, acionista da JBS. Os valores teriam sido repassados ao primo do senador, Frederico Pacheco, o Fred, e as primeiras tratativas teriam sido realizadas pela irmã do senador, Andrea Neves – estão em posse da Polícia Federal a filmagem dos repasses ao suposto receptor do tucano e conversas de WhatsApp com as solicitações de Andrea.

Apesar de justificar que os R$ 2 milhões seriam para bancar advogados de defesa, o dinheiro foi transportado para Mendherson Souza, assessor de Zezé Perrella (PSDB-MG).]

A Procuradoria Geral da República aponta ‘fortes indícios’ de que Mendherson levou o montante à Tapera.

Relatório da Polícia Federal também dá conta de que o ex-assessor de Perrella teria escondido R$ 480 mil na casa de sua sogra, em Nova Lima, no interior de Minas. Os valores foram apreendidos. Segundo a PF, a sogra não tinha conhecimento do conteúdo dos recipientes escondidos em sua casa pelo genro.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY, QUE DEFENDE ZEZE E GUSTAVO PERRELLA 

“Há um erro no relatório do Coaf onde fala que o Guilherme Perrella fez um saque na conta da tapera. Embora ele seja um dos donos da Tapera, está há um ano e meio afastado. 100% da Tapera quem cuida é o Mendherson. Nem ele [Guilherme] que é o responsável no papel, nem o Zeze, que é o beneficiário da empresa, nunca mexeram com a Tapera. O Guilherme nunca foi ao banco e não sabia sequer qual era o banco que a tapera tinha conta. Esse é o motivo maior desse erro do Ministério Público. Esse dinheiro dos R$ 2 milhões que foram transacionados entre o Mendherson e o Fred de uma maneira 100% desconhecida do Zeze e do Gustavo”.

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