Janot queria investigar 49 políticos com foro privilegiado

Na petição ao STF, procurador geral da República aponta para três partidos políticos "envolvidos na investigação do crime de quadrilha"

Redação

06 de março de 2015 | 21h42

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido a abertura de 28 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra um total de 49 políticos de três partidos (PP, PMDB e PT) com foro privilegiado. Mas o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato na Corte máxima, acolheu parcialmente o pedido do chefe do Ministério Público e autorizou 21 inquéritos.

O principal inquérito trata do esquema de pagamento de propina a agentes políticos responsáveis pela indicação de integrantes de três diretorias da Petrobrás. O chefe do Ministério Público quer investigar “a participação de pessoas com prerrogativa de foro nesse esquema”.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria-Geral da República. “Os fatos envolvendo a relação entre o núcleo administrativo, financeiro e econômico permanecem a cargo da primeira instância”, assinala a Procuradoria Geral da República, referindo-se às investigações que conitnuam em curso perante a Justiça Federal do Paraná, base da Operação Lava Jato.

Rodrigo Janot. Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo.

Rodrigo Janot. Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo.

A atuação da Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato foi motivada pelo envolvimento de políticos com prerrogativa de foro citadas em depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Segundo os depoimentos, os agentes políticos responsáveis pela indicação de Paulo Roberto Costa para Diretoria de Abastecimento da Petrobrás recebiam mensalmente um porcentual do valor de cada contrato firmado pela diretoria. Outra parte era destinada a integrantes do PT responsáveis pela indicação de Renato Duque para a Diretoria de Serviços.

[…]Os acordos de colaboração que subsidiaram os pedidos do procurador geral da República foram firmados com Paulo Roberto Costa, que dirigiu a Abastecimento entre 2004 e 2012, e Alberto Youssef, doleiro e operador financeiro da propina.

Segundo Youssef, a “alta cúpula do PP” tinha participação maior nos valores a serem recebidos, cerca de R$ 250 mil a R$ 300 mil por mês. Os deputados do baixo clero recebiam cerca de R$ 30 mil a R$ 150 mil por mês.

No caso dos valores recebidos por parlamentares do PT nos contratos firmados pela estatal com as empreiteiras a estimativa é que o montante tenha sido entre R$ 150 milhões a 200 milhões no período de 2004 a 2012. Segundo o site da Procuradoria-Geral da República, era essa diretoria que indicava a empreiteira a ser contratada, após o acerto entre as empresas no âmbito do cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobrás.

De 2004 a 2011, eram os integrantes do PP que davam sustentação à indicação de Paulo Roberto, e partir de meados de 2011, os integrantes do PMDB responsáveis pela indicação do diretor da área internacional da estatal passaram a apoiar o nome de Paulo Roberto para o cargo de Diretor. Daí porque também passaram a receber uma fatia da propina.

Os colaboradores ainda esclareceram que o esquema operado no âmbito da diretoria de Abastecimento se repetia no âmbito das diretorias de Serviços e Internacional. O pagamento da propina era feito pelas empreiteiras diretamente aos agentes políticos ou por meio dos operadores financeiros, Alberto Youssef, Fernando Baiano e João Vacari Neto, tesoureiro nacional do PT.

 

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