Janot liga conversa entre Aécio e Gilmar a tentativa de barrar Lava Jato

Janot liga conversa entre Aécio e Gilmar a tentativa de barrar Lava Jato

Na denúncia contra senador do PSDB por corrupção passiva e obstrução da Justiça, procurador-geral da República afirma que tucano valeu-se de seu mandato para 'barrar o avanço do Estado na descoberta de graves crimes das altas autoridades do País'

Luiz Vassallo, Breno Pires, Isadora Peron e Isabela Bonfim

02 de junho de 2017 | 19h39

Gilmar Mendes (à esq.) e Aécio Neves em visita ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional, em 2009. Foto: Omar Freire/Imprensa MG/DIVULGACAO

Na denúncia contra Aécio Neves (PSDB/MG) por corrupção passiva e obstrução da Justiça, entregue nesta sexta-feira, 2, ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, citou os áudios em que o senador tucano pede ao ministro da Corte máxima Gilmar Mendes para convencer com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a votar favoravelmente ao projeto de lei de abuso de autoridade, que chegou a tramitar no Congresso.

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Aécio ligou em 26 de abril para Gilmar Mendes. Para Janot, o telefonema foi uma ‘atitude inusual’.

Documento

“Obviamente, não se quer criminalizar a legítima atividade parlamentar, mas essa sequência de fatos mostra claramente que alguns parlamentares, em especial o ora denunciado, valeu-se de seu mandato, outorgado pelo voto popular, não apenas para se proteger das investigações da ‘Operação Lava Jato’, mas também para barrar o avanço do Estado na descoberta de graves crimes praticados pelas altas autoridades do país, num verdadeiro desvio de finalidade da função parlamentar”, afirma Janot.

Grampos no âmbito da Operação Patmos revelaram que o tucano ligou para o ministro do Supremo ressaltando a ‘importância’ do apoio do senador do Pará em relação à pauta’.

Na conversa gravada ele sugere ao ministro do Supremo. “Dá uma palavrinha com o Flexa.., a importância disso e no final dá sinal para ele porque ele não é muito assim… de entender a profundidade da coisa… fala..acompanha a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena. Porque o que a gente pode fazer no limite? Apresenta um destaque para dar uma satisfação para a bancada e vota o texto.., que vota antes, entendeu?”

O tucano é acusado de corrupção passiva pelo suposto recebimento de R$ 2 milhões em propina da JBS e por obstrução de Justiça por tentar impedir os avanços da Lava Jato.

Janot também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar o crime de lavagem de dinheiro.

Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, acionista da JBS. Os valores teriam sido repassados ao primo do senador, Frederico Pacheco, o Fred, e as primeiras tratativas teriam sido realizadas pela irmã do senador, Andrea Neves – estão em posse da Polícia Federal a filmagem dos repasses ao suposto receptor do tucano e conversas de WhatsApp com as solicitações de Andrea.

Apesar de justificar que os R$ 2 milhões seriam para bancar advogados de defesa, o dinheiro foi transportado para Mendherson Souza, assessor de Zezé Perrella (PSDB-MG).

COM A PALAVRA, AÉCIO

Nota da defesa do senador Aécio Neves

A Defesa do Senador Aécio Neves recebe com surpresa a notícia de que, na data de hoje, foi oferecida denúncia contra ele em relação aos fatos envolvendo o Sr. Joesley Batista.  Diversas diligências de fundamental importância não foram realizadas, como a oitiva do Senador e a perícia nas gravações. Assim, a Defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta do Senador Aécio Neves.

Alberto Zacharias Toron

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANDRÉA NEVES

A defesa de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), considera que o oferecimento de denúncia por corrupção passiva dará a ela a oportunidade de provar sua inocência.

O advogado Marcelo Leonardo alega que Andrea Neves não negociou propina e teve apenas um encontro com o dono da JBS, Joesley Batista. De acordo com a defesa, Andrea ofereceu para Joesley um apartamento da família, mas o empresário não se interessou pela compra e quis fazer uma reunião pessoal com o senador Aécio Neves. “A partir disso, Andrea não teve mais nenhuma participação nos fatos”, diz nota da defesa.