Janot foi avisado sobre fim dos grampos, mas desconhecia diálogo entre Lula e Dilma

Janot foi avisado sobre fim dos grampos, mas desconhecia diálogo entre Lula e Dilma

Em Paris, onde se encontra em viagem oficial, procurador-geral soube das escutas da Lava Jato sem detalhamento do conteúdo; ele orientou os procuradores da força-tarefa a seguirem 'procedimento padrão'

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

18 de março de 2016 | 16h36

Procurador-Geral, Rodrigo Janot. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

Procurador-Geral, Rodrigo Janot. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi informado sobre o pedido de levantamento de sigilo da Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato que pegou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas Janot desconhecia o conteúdo das interceptações telefônicas que captaram, inclusive, diálogos entre a presidente Dilma Rousseff e Lula.

O acervo de grampos foi tornado público no dia 16 pelo juiz federal Sérgio Moro, que acolheu requerimento dos procuradores da República, no Paraná, que integram da força-tarefa da Lava Jato. A publicidade das escutas provocou críticas a Moro. Nesta sexta-feira, 18, Dilma disse que nos EUA ‘mandam prender quem grampeia presidente da República’.

Ao ser consultado pelos procuradores do Paraná sobre o pedido de levantamento de sigilo dos grampos, Janot orientou que fosse seguido o ‘padrão adotado nos procedimentos’. Na prática, pedido de levantamento do sigilo da investigação quando terminada a fase de interceptação.

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Pedido dos procuradores do Paraná para Moro levantar os sigilos sobre o grampo

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Pedido dos procuradores do Paraná para Moro levantar os sigilos sobre o grampo

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Pedido dos procuradores do Paraná para Moro levantar os sigilos sobre o grampo

Além do procurador-geral, informado quando já estava fora do País, em viagem oficial à Suíça e à França, outros membros da Procuradoria Geral tomaram conhecimento do pedido de afastamento de sigilo. Todos, no entanto, desconheciam detalhes do conteúdo das escutas e da existência da conversa entre Dilma e Lula.

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O grampo pegou pelo menos duas conversas entre Dilma e Lula. A primeira, na tarde de 4 de março, poucas horas depois de o ex-presidente ter sido conduzido coercitivamente na Operação Aletheia para depor à Polícia Federal. O outro diálogo ocorreu no início da tarde do dia 16, menos de duas horas depois de Moro ter interrompido as escutas.

A gravação do segundo diálogo entre a presidente e o ex-presidente foi anexada aos autos da Lava Jato após Rodrigo Janot ser informado sobre o pedido de levantamento de sigilo.

Esta conversa ocorreu às 13h32 da última quarta-feira. O juiz federal Sérgio Moro, no entanto, havia ordenado a suspensão do grampo telefônico às 11h44 da manhã daquele mesmo dia, e a publicou no site da Justiça do Paraná uma hora depois.

Entre 12h17 e 12h18, operadoras foram comunicadas da ordem para interromper as escutas. Às 12h43, a PF informou ter tomado ciência da determinação de Moro.

 

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