Janot encontra tesouros de Collor

Janot encontra tesouros de Collor

Acervo, segundo lançamentos em notas fiscais apreendidas, inclui copos de cristal veneziano por R$ 17,5 mil, jarra para água de prata francesa a R$ 30 mil, par de poltronas Louis XVI a R$ 135 mil, fruteira de bronze e porcelana a R$ 4 mil

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

14 de maio de 2016 | 12h00

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A ofensiva da Procuradoria-Geral da República sobre a coleção de obras de arte do senador Fernando Collor (PTC-AL) levou à descoberta de uma rotina de compras de luxos do parlamentar. Leiloeiros entregaram aos investigadores notas fiscais que somam mais de R$ 1,5 milhão gastos em antiguidades, porcelanas e até joias.

A investigação sobre as raridades de Collor ganhou impulso após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, receber uma carta escrita por uma testemunha anônima em outubro de 2015. A testemunha indicou uma galeria, um escritório e um restaurador por meio dos quais o parlamentar teria desembolsado uma fortuna. O Ministério Público Federal enviou, então, ofícios de requisição de informações aos leiloeiros.

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Collor é investigado em seis inquéritos na Lava Jato, incluindo o processo pelo qual ele e a mulher foram denunciados. Além do inquérito envolvendo os carros de luxo, o senador também foi denunciado em outro processo, por suposta participação criminosa relacionada à BR Distribuidora.

Segundo a Procuradoria, a divisão era voltada principalmente ao desvio de recursos em proveito particular de Collor, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de dinheiro.

Senador Fernando Collor. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Senador Fernando Collor. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Na madrugada de 12 de maio, Collor votou pelo impeachment de Dilma.

“O leiloeiro Emerson Curi encaminhou notas fiscais de vendas de antiguidades e obras de arte a Fernando Affonso Collor de Mello nos anos de 2010, 2011 e 2013, tendo cada uma dessas operações atingido os valores de R$ 651.840,00, R$ 198.660,00, R$ 90.195,00, R$ 215.500,00, R$ 242.800,00 e R$ 135.200,00, conforme documentos anexos. “Enviou-se ainda uma nota de venda a Roberto Mitsuuchi em 2014 no valor de R$ 276.832,00”, relatou.

“O Escritório de Arte Dagmar Saboya informou haver realizado a venda de objetos a Roberto Mitsuuchi nos anos de 2011, 2013 e 2015, encaminhando documentos referentes a essas operações. A Galeria de Arte Almeida e Dale esclareceu não ter vendido antiguidades ou obras de arte a Fernando Affonso Collor de Mello ou a Roberto Mitsuuchi entre 2010 e 2015.”

Documento

As seis notas fiscais entregues por Emerson Curi estão em nome de Fernando Collor de Mello. O documento de número 000031, datado de 5 de setembro de 2013, aponta que o senador gastou R$ 215.500,00 em 11 peças, entre elas uma sopeira de prata Europa séc XIX (R$ 21 mil), jogo de copos de cristal veneziano (R$ 17.500) e um faqueiro de prata inglesa com 202 peças (R$ 46 mil).

No recibo 000030, de mesma data, outras 11 peças custaram R$ 242.800,00. Na lista estão fruteira de bronze e porcelana (R$ 4 mil), jarra para água de prata francesa (R$ 30 mil) e par de poltronas Louis XVI, século XIX (R$ 135 mil).

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Em 10 de novembro de 2011, uma nota fiscal contabilizou nove peças por R$ 135.200,00. Foram contabilizados um par de legumeiras de prata inglesa (R$ 40 mil),

Entre os documentos entregues há ainda um recibo de ‘compra ainda pendente de acerto’. O papel tem duas datas, novembro de 2014 e 10 de novembro de 2015 e faz referência a Roberto Mitsuuchi. Na lista há nove itens: pá para bolo de metal prateado (R$ 525), fino porta caviar de metal prateado (R$ 1.995), fina baixela de prata inglesa repuxada (R$ 27.300), requintado faqueiro de prata francesa (R$ 35.700), magnífico serviço para jantar de porcelana (R$ 42 mil) e bouraine, Marcel – floral – rara luminária ( R$ 126 mil).

“Recebemos de Roberto Mitsuuchi, CPF Nº a importância de R$ 276.832,00, referente a compras realizadas em leilão, conforme relacionado acima”, diz a nota que não tem assinatura.

COM A PALAVRA, O SENADOR FERNANDO COLLOR

A participação em leilões mediante representante, procurador ou broker é prática comum para assegurar o preço justo, e não a inflação dos lances em razão da identidade do comprador.
De todo modo, todas as obras adquiridas pelo Senador Fernando Collor foram pagas com recursos próprio, de origem lícita, com emissão de notas fiscais em seu nome.
A ilação de prática de lavagem a partir de denúncia anônima sem qualquer comprovação é conduta absolutamente irresponsável e temerária, não merecendo qualquer credibilidade.

COM A PALAVRA, ROBERTO MITSUUCHI

“Já representei o ex-presidente Fernando Collor em leilões de arte, contudo, sempre dentro da legalidade! Os pagamentos das obras adquiridas sempre foram feitos diretamente por ele, inclusive em seu nome foram emitidas as devidas notas fiscais! Jamais me prestaria a ser laranja de qualquer pessoa.”

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