Janot e o ‘investigado’ Michel Temer

Janot e o ‘investigado’ Michel Temer

Leia a íntegra da manifestação do procurador-geral da República ao ministro Fachin contra pedido do presidente para suspensão do inquérito da Operação Patmos no Supremo

Beatriz Bulla, Julia Affonso e Fábio Serapião

21 de maio de 2017 | 16h43

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na manifestação ao ministro Edson Fachin – relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal -, em que não aceita a suspensão do inquérito contra Michel Temer, o procurador-geral da República Rodrigo Janot assinala que o conteúdo do áudio da conversa do presidente com o executivo Joesley Batista, da JBS, ‘é harmônico’ com o relato de pelo menos quatro colaboradores.

Além de Joesley, o procurador aponta outros três executivos do Grupo que firmaram acordo de colaboração com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato – Wesley Batista, irmão de Joesley, Ricardo Saud e Florisvaldo Caetano de Oliveira. Segundo Janot, todos fizeram declarações ‘consentâneas’ com o conteúdo do áudio da conversa que Joesley gravou com Temer na noite de 7 de março no Palácio do Jaburu.

Nesse diálogo, segundo o Ministério Público Federal, Temer ouve de seu interlocutor relato de práticas criminosas e reage com um ‘ótimo, ótimo’. O presidente também teria incentivado o executivo a manter a ‘compra’ do silêncio de Eduardo Cunha por meio de mesada de propinas para o ex-presidente da Câmara, preso na Lava Jato desde outubro de 2015.

Em seu parecer, o procurador não se opõe a que a gravação seja submetida aos peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), órgão central de perícias do Departamento de Polícia Federal. Mas não concorda com a suspensão do inquérito, tal como requerido pelo advogado do presidente, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira – Fachin submeteu o pedido ao plenário da Corte.

“O investigado Michel Temer protocolou no Supremo Tribunal Federal petição na qual pede a ‘suspensão do inquérito instaurado, até que se realize uma perícia no audio constante da fita degravada da conversa objeto desses autos”, pontua Janot.

“Essa gravação passou por avaliação técnica de Setor da Procuradoria-Geral da República que constatou que o material, em uma análise preliminar, é audível, inteligível e apresenta uma sequência lógica e coerente, com características iniciais de confiabilidade”, argumenta o procurador. “Ademais, a referida gravação é harmônica e consentânea com o relato da colaboração de pelo menos quatro colaboradores, a saber: Joesley Batista, Wesley Batista, Ricardo Saud e Florisvaldo Caetano de Oliveira.”

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