Janot diz que investigações podem provocar novas denúncias contra Temer

Janot diz que investigações podem provocar novas denúncias contra Temer

Em entrevista ao jornalista Roberto D'Avila, da Globo News, que vai ao ar na noite desta quarta-feira, 5, procurador-geral da República diz que 'as investigações continuam' e que 'cada investigação tem o seu tempo próprio'

Da Redação

05 de julho de 2017 | 20h33

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot. FOTO ALEX SILVA/ESTADAO

O procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que investigações em curso poderão provocar novas denúncias criminais contra o presidente Michel Temer. A revelação de Janot foi dada em entrevista exclusiva ao jornalista Roberto D’Avila, da Globo News, que vai ao ar na noite desta quarta-feira, 5.

“As investigações continuam. Cada investigação tem o seu tempo próprio, tem o seu próprio tempo de maturação. Ao final dessas investigações o resultado será a denúncia ou arquivamento”, disse Janot.

A primeira denúncia do procurador contra Temer atribui ao peemedebista crime de corrupção passiva no caso JBS. Janot está convencido de que o presidente era o destinatário real de uma propina de R$ 500 mil da JBS – na noite de 28 de abril, o ex-assessor especial de Temer, Rodrigo Rocha Loures, foi filmado pegando uma mala de propinas do grupo, 10 mil notas de R$ 50.

Michel Temer.  FOTO DIDA SAMPAIO / ESTADAO

Esta primeira denúncia foi enviada pelo Supremo Tribunal Federal à Câmara, que tem prerrogativa de autorizar ou não a abertura de ação penal contra o presidente. Nesta quarta, 5, o advogado de Temer entregou à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara uma defesa de 98 páginas em que sustenta que Janot faz ‘ilações’.

O procurador agora poderá apresentar nova acusação formal contra Temer, por obstrução de Justiça, baseado no áudio da conversa do presidente com o empresário Joesley Batista, acionista da JBS.

Na noite de 7 de março, Joesley gravou a conversa com o presidente no Palácio do Jaburu. Temer teria incentivado o empresário a manter o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso desde outubro de 2016.

Ao ser indagado sobre o que sentiu quando ouviu a gravação da conversa de Joesley com Temer pela primeira vez, o procurador-geral disse: “Eu senti náusea”.

“Vamos aguardar o encaminhamento das investigações, uma está mais adiantada do que a outra, para que possamos avaliar se haverá denúncia ou arquivamento”, disse Janot a D’Avila.

“Elas (novas denúncias) poderão ocorrer ou não, depende do que a investigação nos conduzir.”

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