Janot diz que homem da mala é ‘verdadeiro longa manus’ de Temer

Janot diz que homem da mala é ‘verdadeiro longa manus’ de Temer

Ao fazer novo pedido de prisão contra Rocha Loures, procurador-geral da República reafirma que ex-deputado 'aceitou e recebeu com naturalidade' propina da JBS na condição de 'homem de confiança' do presidente

Breno Pires e Isadora Peron, de Brasília

03 de junho de 2017 | 05h00

Michel Temer e Ricardo Rocha Loures. Foto: JBatista / Agencia Camara

Ao reapresentar no Supremo Tribunal Federal pedido de prisão preventiva do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o classificou como ‘homem de total confiança, verdadeiro longa manus do presidente da República, Michel Miguel Elias Temer Lulia’.

‘Longa manus’ quer dizer executor de crime premeditado por outro.

Janot insistiu na prisão de Loures tão logo ele perdeu a imunidade – com o retorno do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) à Câmara após ser demitido do cargo de ministro da Justiça.

No início da Operação Patmos, em 18 de maio, Janot havia pedido a prisão preventiva do então assessor de Temer, mas o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, rejeitou a medida e apenas limitou-se a afastar o parlamentar do mandato.

Loures foi flagrado correndo por uma rua de São Paulo, em abril, carregando uma mala estufada de propinas do Grupo JBS – R$ 500 mil divididos em 10 mil notas de R$ 50.

Ele e Temer são alvo de um mesmo inquérito sob condução de Fachin. A Procuradoria suspeita da prática de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à investigação.

Janot reafirmou que o ex-assessor especial ‘aceitou e recebeu com naturalidade, em nome de Michel Temer’, oferta de propina de Joesley Batista, acionista da JBS.

O procurador se refere a uma propina de 5% que teria sido acertada com Loures sobre o benefício econômico a ser auferido pelo Grupo J&F, especificamente em favor da EPE Cuiabá.

O então assessor especial de Temer teria, em contrapartida, de interceder em favor do grupo em processo administrativo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do governo federal.

“Após esse acordo inicial, momento em que o crime de corrupção se consumara, o deputado federal ainda recebeu os valores da propina acertada do também colaborador Ricardo Saud (diretor de Relações Institucionais da J&F, controladora da JBS)”, destaca o procurador.

Ao cravar a ligação entre Loures e Temer, o procurador diz que ‘este último permanece detentor de foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal’.

Janot aponta ‘evidente conexão intersubjetiva e instrumental das condutas em tese praticadas por Rodrigo Loures e Michel Temer’.

Para Janot, como Loures perdeu a prerrogativa de foro privilegiado, já que Serraglio voltou à Câmara, não há mais motivo para que a medida cautelar deixe de ser executada.

Para o procurador-geral da República, ‘é imprescindível’ a prisão de Loures e também do senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG) – supostamente envolvido em propina de R$ 2 milhões de Joesley – ‘para garantia da ordem pública e instrução criminal, diante de fatos gravíssimos que teriam sido cometidos’.
Aécio e Loures foram gravados pelo dono da JBS, em negociação de pagamento de propina.

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