Janot diverge de Teori e diz que apuração sobre Gleisi tem elo com Lava Jato

Procurador-geral da República pediu ao Supremo que reconsidere decisão do ministro relator da operação que encaminhou para redistribuição investigação sobre senador do PT

Redação

14 de setembro de 2015 | 22h02

Teori Zavascki. Foto: André Dusek/Estadão

Teori Zavascki. Foto: André Dusek/Estadão

Por Beatriz Bulla e Talita Fernandes, de Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconsidere decisão do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte, que encaminhou para redistribuição trecho de investigação em que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) é citada. Para Zavascki, os trechos que envolvem a petista não mostram relação “imediata” com as investigações em andamento sobre corrupção na Petrobras. Com este entendimento, o ministro encaminhou o caso à presidência do Supremo para que fosse feita a redistribuição do caso a outro integrante da Corte. A PGR, no entanto, pediu a reconsideração da decisão.

Rodrigo Janot. Foto: André Dusek/Estadão

Rodrigo Janot. Foto: André Dusek/Estadão

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, que assinou a peça encaminhada ao STF, aponta o elo entre as informações sobre a senadora petista e o esquema investigado na Lava Jato. “Dentro do esquema apurado na Lava Jato, Ricardo Pessoa referia que os valores pagos a título de propina eram ‘descontados’ da ‘conta-corrente’ que mantinha com o Partido dos Trabalhadores”, escreveu a vice-procuradora-geral.

Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann

Em agosto, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato na primeira instância, enviou ao STF documentos que podem indicar repasses ilícitos para Gleisi, ex-ministra da Casa Civil. Ela supostamente seria beneficiária de parte de valores que transitaram pelo ‘Fundo Consist’ – empresa envolvida em desvios de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. O ex-ministro Paulo Bernardo (Comunicação e Planejamento), marido de Gleisi, também é citado nas informações encaminhadas ao STF. Os documentos surgiram após a deflagração da 18ª fase da Lava Jato, a Pixuleco II, e fazem parte de dados apreendidos em escritório de advocacia de Curitiba.

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A PGR alega que o caso de Gleisi é diferente dos pedidos de investigação relativos ao ministro da Casa Civil, Alozio Mercadante, e ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). O caso dos dois políticos foi redistribuído no Tribunal e saiu do gabinete de Zavascki, por não ter relação com o esquema de corrupção na Petrobras. Já a situação de Gleisi, segundo Ela Wiecko, mostra “liame mínimo de conexão dos pagamentos de valores envolvendo as propinas da Petrobras ‘administradas’ pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari, e estas envolvendo a Consist”.

Na Operação, o ex-vereador do PT Alexandre Romano, o Chambinho, foi preso preventivamente, com suspeita que ele distribuiu propinas para o partido e políticos da sigla. Como os documentos traziam menção à senadora Gleisi Hoffmann, que detém foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao STF. Na última sexta-feira, a PGR ofereceu denúncia contra Romano e pediu o desmembramento do caso. Com a cisão, a denúncia deve ser analisada pela Justiça no Paraná, enquanto as investigações sobre a senadora petista devem prosseguir perante o STF.

A senadora afirma que todo o trabalho realizado pelo escritório que foi alvo da Operação consta de suas prestações de contas eleitorais. Gleisi já é alvo de uma investigação, aberta em março, por suposto recebimento de R$ 1 milhão para campanha eleitoral, segundo delatores da Lava Jato.

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