Janot aponta Blairo, da Agricultura, como líder de organização criminosa

Janot aponta Blairo, da Agricultura, como líder de organização criminosa

No documento em que pede ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra ministro de Temer, procurador-geral da República atribui a Blairo Maggi a 'função de liderança mais proeminente' do esquema de desvio de recursos públicos instalado no Governo de Mato Grosso

Breno Pires e Rafael Moraes Moura

25 Agosto 2017 | 22h21

 

Blairo Maggi. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, ‘a função de liderança mais proeminente na organização criminosa’ delatada pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB). O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para investigar Blairo.

Documento

A solicitação tem como base a delação de Silval. O ministro da Agricultura é alvo da Operação Ararath, deflagrada em 2014, para investigar desvio de recursos públicos no Governo de Mato Grosso. Janot atribui ao ministro ‘tentativas de interferir’ na Ararath entre 2014 e 2017.

O procurador citou o ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso José Geraldo Riva.

“Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Borges Maggi, o qual exercia  incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva.

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O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo da delação de Silval e autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma organização criminosa que se instalou na alta cúpula do governo do Mato Grosso, de acordo com o relato de Janot.

A decisão de Fux foi tomada nesta quinta-feira, 24, e atende a pedido da Procuradoria-Geral da República. O ministro Fux homologou a delação no dia 9 de agosto, uma semana após de ter dito que ela seria “monstruosa”.

Segundo Janot, Silval Barbosa “menciona fatos típicos praticados por autoridades detentoras de prerrogativa de foro, dentre elas o Deputado Federal Ezequiel Fonseca, Deputado Federal Carlos Bezerra, o Senador da República José Aparecido Santos, o Senador da República Wellington Fagundes e o Ministro de Estado e Senador da República licenciado Blairo Borges Maggi”.

A PGR afirma que, segundo Silval, seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Correa Araújo, entre 2007 e 2010, praticou “inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro”.

Silvio Cézar Correa Araújo é uma das outras quatro pessoas a firmarem acordo de delação premiada, além de Silval Barbosa. Os outros delatores são Roseli de Fátima Meira Barbosa, esposa do ex-governador do Mato Grosso, Rodrigo da Cunha Barbosa e Antônio da Cunha Barbosa.

Vídeo. Como forma de corroboração à sua delação premiada, Silval entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos que mostram políticos do estado recebendo dinheiro vivo, veiculados no Jornal Nacional nesta quinta-feira, 24.

O ex-governador alega que as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar. De acordo com Silval, ele era o funcionário responsável por entregar os valores. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de esquemas de propina no estado.

Entre os políticos flagrados nas imagens estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), que chegou a colocar tantas notas em seus bolsos que parte delas caiu no chão. O vídeo mostra Emanuel agachando-se para juntar as cédulas espalhadas.

O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) aparece nas imagens às quais a Rede Globo teve acesso recebendo o dinheiro em uma caixa de papelão. O então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) é flagrado com os maços em uma mala. A atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) também pode ser identificada no vídeo levando o dinheiro na bolsa. O ex-deputado estadual Alexandre César (PT) aparece levando notas em uma mochila.

COM A PALAVRA, BLAIRO

NOTA À IMPRENSA

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja “mudanças de versões” em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

Blairo Maggi

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