Janot alerta para a ‘agressividade’ do operador de Eduardo Cunha

Janot alerta para a ‘agressividade’ do operador de Eduardo Cunha

Procurador-geral da República afirma que Lúcio Funaro 'tem no crime o seu modus vivendi'

Julia Affonso, Gustavo Aguiar, Fabio Fabrini e Fabio Serapião

03 de julho de 2016 | 10h05

Lucio Funaro. Foto: Dida Sampaio/AE - 2006

Lucio Funaro. Foto: Dida Sampaio/AE – 2006

No documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), em que pediu a prisão do lobista Lucio Bolonha Funaro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dedicou espaço para a ‘agressividade’ do suposto operador do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Lucio Funaro foi detido em São Paulo na sexta-feira, 1, na Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato.

O operador de Eduardo Cunha na delação premiada do ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas Nelson Mello. O executivo afirmou aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar repasses a senadores do PMDB. Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores.

Documento

Nelson Mello afirmou que ‘Lúcio Funaro continuou a procurá-lo recentemente, mesmo após seu desligamento da empresa’.

“Não bastasse isso, procurou-o em sua casa e por meio de seu telefone residencial, apesar de o colaborador nunca ter fornecido tais dados. Também chama a atenção a agressividade de Funaro no trato com o colaborador, manifestada por termos como ‘você não sabe com quem está se metendo’ e ‘está querendo me foder?’”, anotou Janot no pedido de prisão do operador de Cunha.

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“Posteriormente ao acordo, Nelson Mello peticionou ao Ministério Público informando ter sido procurado, no mês de março de 2016, por Funaro e por Eduardo Cunha. Tais fatos mostram o longo alcance, inclusive temporal, e a contemporaneidade dos esquemas de Funaro.”

No documento, o procurador destacou o ‘histórico profissional de Funaro’. Segundo Janot, nenhuma medida cautelar, diferente da prisão, ‘seria eficiente e útil para estancar suas atividades ilícitas’.

“Trata-se de pessoa que tem o crime como modus vivendi e já foi beneficiado com a colaboração premiada, um dos maiores incentivos que a Justiça pode conceder a um criminoso, a fim de que abandone as práticas ilícitas. No entanto, prosseguiu delinquindo, mesmo após receber o beneficio. Cuida-se de verdadeira traição ao voto de confiança dado a ele pela Justiça brasileira”, relatou Janot, referindo-se à delação premiada de Funaro no processo do Mensalão.

“Pessoas que vivem de práticas reiteradas e habituais de crimes graves, sem qualquer freio inibitório, colocam em risco, concretamente, a ordem pública.”

O procurador citou, no pedido, o empresário Milton Schahin. O operador de Eduardo Cunha e o executivo teriam brigado por causa da construção da Pequena Usina Hidrelétrica (PCH) de Apertadinho. A Cebel, de Funaro, havia contratado os serviços da Schahin Engenharia. Em 9 de janeiro de 2008, a barragem da hidrelétrica se rompeu ‘causando diversos danos ambientais e sociais’. O acidente iniciou-se uma guerra declarada entre a Cebel e a Schahin Engenharia.

Janot afirma que ‘a ousadia de Funaro é conhecida no meio em que circula e ficaram ainda mais evidentes no episódio narrado acima em que ameaçou de morte um idoso de mais de 80 anos (Milton Schahin) em razão de disputa econômica’.

“Ora, se Funaro é capaz de ameaçar de morte um ancião em razão de disputas comerciais, não há dúvidas de que não se rogará a prejudicar a investigação sobre os fatos que o
Incriminam”, relata Janot.

“A prisão preventiva, em relação a Lúcio Bolonha Funaro, é medida que se impõe. De fato, não é de se imaginar que Funaro, cujos antecedentes criminais começam em 1996, somam mais de dez ocorrências entre inquéritos e processos, passam por um descumprimento de acordo de colaboração premiada e chegam aos dias de hoje (como prova o depoimento de Nelson Mello), interromperá espontaneamente a carreira delitiva.”

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