Janeiro Branco: a importância de se falar sobre saúde mental

Janeiro Branco: a importância de se falar sobre saúde mental

Renata Simioni*

01 de fevereiro de 2021 | 04h00

Renata Simioni. FOTO: DIVULGAÇÃO

Eu sou o tipo de pessoa que adora fechar ciclos, limpar as gavetas, doar as roupas que passaram o ano todo no guarda-roupa e começar tudo de novo. Sou o tipo que renova as esperanças, projeto metas, faço outros combinados comigo mesma sobre o novo ciclo que começa. Janeiro é sempre esse mês para mim.

Esse ano tenho lido muita coisa sobre o Janeiro Branco. Confesso que é o primeiro ano que ele me chama atenção, apesar de já falarem sobre ele desde 2014. O termo foi criado pelo psicólogo mineiro Leonardo Abraão e foi reconhecido pela OMS logo após. Em uma palestra recente da Izabella Camargo, jornalista e autora do livro “Dá um tempo”, ela traz uma definição que eu achei ótima: “Um Janeiro Branco para 11 meses coloridos”. Um mês inteirinho para pararmos e pensarmos o que queremos para nós nesse novo ano.

O “mês branco” vem para nos fazer refletir sobre onde e como estamos e o que queremos evoluir, seja na vida pessoal, social, espiritual e/ou do trabalho. Isso ajuda muito estabelecer uma cultura de cuidado de saúde mental na sociedade. Essa é a “parte” da saúde que é muito subjetiva e que não se mede por meio de exames laboratoriais. Ela demanda investir tempo em autocuidado e autoconhecimento para nos deslocarmos para o nosso próprio padrão, onde EU me sinto bem física e mentalmente.

Os números de saúde mental no nosso país e no mundo são alarmantes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior prevalência de ansiedade no mundo com 9,3% da população. Ainda somos o segundo maior em número de pessoas com depressão (5,8%), somente atrás dos Estados Unidos (5,9%) e muito à frente da prevalência mundial (4,4%). O suicídio está no 3º lugar entre as causas de morte externa, atrás de acidentes e agressões.

Quando vejo esses dados e as tendências, não há qualquer dúvida que há uma necessidade urgente de ação sobre o tema: precisamos evoluir na identificação, tratamento e prevenção de todos esses transtornos. Mas a principal pergunta para algo tão subjetivo é: como fazer tudo isso?

Sou médica há mais de 11 anos e trabalho na gestão de saúde corporativa há oito. Saúde mental já representa a segunda maior causa de afastamento do trabalho. Esse sempre foi o tema mais complexo na minha atuação, principalmente, por ser algo com tanto estigma e preconceito. E vivendo uma pandemia, vejo que estamos trilhando um caminho de sucesso no tema, apesar de saber que temos muito a aprender e evoluir.

O que aprendi com toda essa jornada é que o tema é muito mais complexo que eu imaginava e que quanto mais a gente conversa com as pessoas, mais oportunidades se abrem para novas frentes. Enquanto área de saúde corporativa, é nossa responsabilidade trazer o tema para a mesa, porém, a verdadeira transformação ocorre quando a agenda se torna presente na rotina das empresas, das lideranças e das pessoas.

Não existe fórmula mágica, mas se eu puder dar alguns conselhos para quem está olhando o tema é:

– acolhimento: ter pessoas competentes para acolher os casos críticos;

– prevenção: ações individuais e coletivas que abram espaço para escuta ativa;

– diversidade de ações: diversifique os estímulos porque as pessoas reagem de forma diferente a estímulos diferentes;

– fale sobre o tema: comunique e explique em todas as oportunidades;

A jornada é longa e diferente em todos os lugares e vai mudar a vida das pessoas e das organizações para muito melhor!

*Renata Simioni é gerente de saúde corporativa do Grupo Boticário

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.