Jacó Bittar, dono do sítio que a Lava Jato diz ser de Lula, procurou Bumlai por negócio no Guarujá

Jacó Bittar, dono do sítio que a Lava Jato diz ser de Lula, procurou Bumlai por negócio no Guarujá

Um ano antes da compra de propriedade rural, em Atibaia (SP), ex-prefeito de Campinas enviou e-mail para pecuarista, investigado por ter "livre acesso" ao Planalto, sobre 'missão comercial' envolvendo área de 1,7 milhão de metros quadrados, no litoral paulista

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

27 de junho de 2016 | 14h24

IMAGEM TERRENO GUARUJÁ

O ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar procurou, em 2009, José Carlos Bumlai – ambos são amigos de Luiz Inácio Lula da Silva investigados pela Operação Lava Jato – por uma “missão comercial” que envolvia um terreno  de 1,47 milhão de metros quadrados, no Guarujá (SP). É o que mostra e-mail aberto pela Polícia Federal do pecuarista e reunido em uma relatório de informação que reforçam as suspeitas de investigadores de que um grupo de pessoas próximas do convívio familiar do ex-presidente traficaram influência no governo petista e serviram para ocultar bens.

No dia 15 de junho de 2009, Jacó Bittar encaminha para Bumlai e-mail recebido de terceiro. “Material sobre missão comercial que ele tem com um  terreno no Guarujá/SP de 1.4700.000 metros quadrados  embargada pelo Ministério Público”, registra o Relatório de Informação 64/2016, da PF de Curitiba, anexado em um inquérito que tem Bumlai como alvo. Ele trata do conteúdo das mensagens de uma conta de e-mail do pecuarista.

JACO PARA BUMLAI

Bumlai é peça central dessa investigação de tráfico de influência nos governos Lula. Preso em novembro de 2015 – alvo da fase Passe Livre, referência ao acesso que tinha ao Planalto – ele é réu em uma ação penal, em Curitiba, e alvo de outros inquéritos. Bittar e seus filhos Khalil e Fernando são também suspeitos por suas relações comerciais e de amizade com o ex-presidente.

A família Bittar assumiu ter comprado em 2010 o Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, em 2010, por R$ 1,5 milhão, para ser usado por Lula. Em 2011, a propriedade foi toda reformada e transformada por empreiteiras acusadas de cartel na Petrobrás – Odebrecht e OAS – sob a supervisão de Bumlai, que cedeu o arquiteto e contratados de suas usinas para gerenciar a obra. Oficialmente, o imóvel foi registrado em nome de Fernando Bittar e do empresário Jonas Suassuna – ambos sócios dos filhos do ex-presidente.

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No e-mail que enviou para Bumlai, um ano antes da compra do sítio, Bittar repassou informações sobre um negócio no Guarujá que envolvia a liberação do terreno, em parte embargado pela Promotoria e também dependendo da prefeitura local. O e-mail foi enviado por Rogério Boucherville, que a PF associa à Tróis-Rivieres Participações, uma holding de instituições financeiras abertas em 2002 em São Vicente (SP).

Jacó, que foi da safra de primeiros prefeitos do PT – governo Campinas, no interior paulista de 1989-1992 – , mora atualmente em São Vicente. Na mensagem, o interlocutor propõe uma “missão comercial”.

“Caso estejas disposto, tenho uma missão comercial de planejar o que melhor fazer em uma área de 1.479.000 m2 no município do Guarujá, zona urbana. Trata-se da última grande área que é cortada pela Av. Dom Pedro I”, informa. “Parte da área nos fundos está invadida, tem favelas, poceiros e está embargada pelo MP. (por sorte).”

CORRETOR PARA BITTAR

Não é a negociação do terreno que interessa aos investigadores da Lava Jato, mas sim as relações entre Bittar e Bumlai. Ambos são peças importantes nas investigações sobre o sítio de Atibaia. Na semana passada, a força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, retomou o andamento dos inquéritos e processos de quebra de sigilo e análise do material apreendido em buscas que têm como alvo Lula.

“Para que eu possa fazer um bom acordo c/ o município, tenho que apresentar uma proposta viável, boa para as duas partes. Daí me vir a idía de pedir-lhe aconselhamentos”, explica o interlocutor, para Bittar. “No estado em que se encontra, o valor da área é 10 vezes menor do que seria com todo um planejamento aprovado. Tenho que provar aos investigadores com retorno e principalmente segurança jurídica.”

FOTO TERRENO GUARUJÁ

Jacó Bittar e Rogério Boucherville não foram localizados para comentar o caso. O espaço está aberto.

COM A PALAVRA, JOSÉ CARLOS BUMLAI

Por meio de nota, a defesa do pecuarista José Carlos Bumlai ressaltou que nenhum dos fatos configura crime e que desde que seu cliente foi preso ele vem colaborando com a Justiça. Leia a nota:

“Os episódios mencionados na matéria foram pinçados de maneira descontextualizada do relatório de inteligência elaborado pela Polícia Federal. Ocorre que nenhum deles configura crime. Tanto isso é verdade que não há, desde a juntada aos autos desse material há mais de um mês, nenhum apontamento nesse sentido pela autoridade policial responsável pelas investigações. Desde que foi preso, José Carlos Bumlai vem colaborando com a Justiça e, em nenhum momento, quando solicitado, deixou de prestar os devidos esclarecimentos.

Escritório Malheiros Filho, Meggiolaro e Prado Advogados

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA

A família Lula da Silva já teve seus sigilos fiscais, telefônicos, bancários quebrados sem ser encontrado nenhum crime. Seus membros foram vítimas de arbitrariedades já denunciadas em representação por abuso de autoridade ao Procurador Geral da República. O vazamento desse relatório é mais uma invasão de privacidade que não encontra nenhuma ilegalidade, mas que serve de matéria-prima para ilações de parte da imprensa brasileira para fins políticos.  O que existe é a tentativa de reescrever a história do sucesso da gestão Lula, aprovada por 87% da população brasileira ao término do mandato. Essa parece ser a motivação de tal empreitada, em um conluio de alguns veículos de imprensa com agentes do Estado. O relatório analisa mais de 10 anos de e-mails do sr. José Carlos Bumlai sem encontrar qualquer ilegalidade praticada por qualquer membro da família Lula da Silva.

 

 

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