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Já pensou em como será o futuro em dois meses?

Por Eduardo Murad
Atualização:
Eduardo Murad. FOTO: DIVULGAÇÃO Foto: Estadão

A pandemia colocou em xeque muito setores da economia. O mercado de turismo e o de eventos, em especial, foi impactado de uma forma bastante profunda. A palavra resiliência nunca foi tão usada. Resiliência nos negócios, nas relações familiares, nas amizades. Mas e quando a pandemia acabar, o que teremos absorvido? Em um cenário em que amargamos perdas nos mais diversos setores da economia, a resposta a essa pergunta só não é mais valiosa do que a "de quando será a retomada".

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O mercado de viagens corporativas responde por cerca de 60 a 70% das viagens domésticas, por esse dado é possível calcular a representatividade que a paralisação das atividades gerou para o segmento.  Um estudo desenvolvido por nós da ALAGEV, em parceria com a professora da USP, Mariana Aldrigui, revelou que em 2019 o segmento foi responsável pelo faturamento de 75,9 milhões de reais, um crescimento de 4% em relação a 2018. As projeções eram bastante positivas para 2020, não fosse a chegada do novo coronavírus, primeiro à China - já demonstrando índices de esfriamento da atividade - e depois, ao mundo, mostrando toda a força que uma ameaça imprevisível pode ter.

Em eventos corporativos, vimos uma avalanche de grandes encontros mundiais serem cancelados ou postergados. Milhões e milhões de dólares, reais, euros estão empatados nesse setor, a espera de dias melhores e na retomada das ações.

A indústria de viagens e eventos corporativas é mesmo bilionária, isso porque envolve players multissetoriais, que somados, nos dão um breve panorama do impacto gerado pela pandemia.

Empresas áreas sem poder voar, agência de eventos sem poder criar, agências de viagens corporativas com uma redução drástica das atividades, estruturas hoteleiras e de eventos sem público, empresas de transporte sem demanda, departamentos inteiros de grandes companhias buscando alternativas para dar continuidade em projetos à distância, e por fim, profissionais freelancers - da área de eventos em específico -, sem renda. Uma cadeia complexa que impacta milhares de postos de trabalho e na rotina e sobrevivência de pequenas e médias empresas prestadoras de serviços.

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Embora o cenário ainda seja incerto, há uma esperança cautelosa dos players que operam neste mercado. Em uma sondagem com associados e mantenedores da ALAGEV, realizada em duas etapas - no início e no meio de abril -, quando de fato a pandemia foi declarada, mostrou que, ainda que o impacto tenha sido significativo para as empresas, a crença na retomada é para o 3º trimestre do ano.  Um estudo publicado pela Universidade de Singapura prevê que 97% dos casos epidêmicos terminem em 30 de maio e que até 01 de dezembro a pandemia tenha terminado. No Brasil, a previsão é que, na primeira quinzena de junho, a epidemia esteja 99% controlada (fonte: https://ddi.sutd.edu.sg/).

E no meio de tanto caos, reaprendemos e inovamos. As viagens de negócios, neste momento de prudência com os colaboradores acontecem apenas em casos muito necessários. Os eventos passaram a ser realizados em ambientes virtuais. A tecnologia faz às vezes do moderador necessário em tempos de isolamento.

Mas sabemos que nem tudo poderá ser substituído por contatos à distância ou teleguiados. E um "novo normal" ganha espaço.

Aéreas já começam a se movimentar, reforçando a mensagem de segurança e os procedimentos de higienização, além do uso de máscaras para passageiros. Redes hoteleiras reabrem as portas com restrições no número de hóspedes e revisando a todo o momento os protocolos de segurança e bem-estar.

Agências de eventos aceleram a produção de encontros híbridos, em que as atividades acontecem parte em ambiente virtual, parte em ambiente físico.

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O comportamento das pessoas está mudando.

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Passado o "susto" inicial que a pandemia gerou e, analisando a nova configuração mundial que começa a se desenhar, a tal consciência coletiva começa de fato a ser parte do cotidiano. Sabemos, claro que o caminho é longo. A tecnologia segue como aliada em muitos processos, mas o contato físico, o olho no olho, o aperto de mão - ou o toque de cotovelo - ainda são atribuições humanas necessárias e, o isolamento social nos provou o quão dependente ainda somos das interrelações.

Entre tantos aprendizados e inovações, o lembrete de que dependemos um do outro, talvez, seja um dos grandes ganhos que teremos nos próximos meses. Seguimos confiantes e trabalhando diariamente na retomada que já está entre nós, ainda que com planejamentos de ações futuras e com o "novo fazer acontecer".

*Eduardo Murad é diretor executivo da Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev)

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