Isso já foi tentado… so what?

Isso já foi tentado… so what?

Cassio Grinberg*

14 de janeiro de 2022 | 07h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

O cansaço é um dos principais inimigos da criatividade: quando cansamos, deixamos de ser curiosos. E quando deixamos de ser curiosos, desabamos para um “mood” que trafega na via contrária da experimentação: nos valemos de todas as desculpas possíveis para não trocarmos as lentes “de costume” e, com isso, reduzimos a chance da visão panorâmica ao microscópio do que já imaginamos conhecer.

Do ponto de vista da inovação, uma situação costumeira é aquela onde, diante de novas ideias, os novos times são confrontados por pessoas com mais “tempo de casa” com a queixa de que deveriam prestar um pouco mais atenção justamente no histórico da casa; evitando desperdiçar recursos e tempo com aquilo que já foi tentado.

“Isso já foi tentado” tem um irmão mais velho, o “sempre fizemos desse jeito”. É claro que uma empresa tem muito a ganhar com a soma dos aprendizados e que a experiência de quem já viveu, vale bastante. No entanto, na medida em que o que nos trouxe até aqui não necessariamente será o que nos levará daqui em diante, alcançamos uma composição mais musical quando os mais novos aprendem com os mais antigos, e os mais antigos desaprendem com os mais novos. E não estou falando de idade, mas de mentalidade.

De mentalidade de iniciante.

O Metaverso, que promete revolucionar a maneira como trabalhamos, consumimos cultura, nos relacionamos com os utensílios da casa, fazemos exercícios — e que possivelmente nem terá o formato exato que estamos imaginando hoje —, é algo que já foi tentado. Aliás, quinze anos atrás: ele se chamava Second Life, mas quando aquele cavalo passou, ainda não contávamos com boa tecnologia AR/VR e, principalmente com a promessa do 5G (que logo será 6G).

Importa cada vez menos o que já foi tentado, a memória das empresas precisa ser cada vez mais curta. Trata-se de uma questão de jóqueis: com o desabrochar exponencial da tecnologia, os cavalos das oportunidades passam por nossas empresas diversas vezes — às vezes os mesmos cavalos que passaram antes, mas precisamos de jóqueis com agilidade — e apoio — para montar.

Ou você nunca convidou uma pessoa novamente para dançar, só que dessa vez ela disse sim?

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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