Isabel no caminho da Lava Jato

Isabel no caminho da Lava Jato

Polícia Federal faz buscas na residência e no escritório da executiva Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, sob suspeita de abrir contas de propinas para 'Azeitona' e 'Peixe', ex-gerentes da Petrobrás, no Banco Société Générale, da Suíça

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

20 de outubro de 2017 | 13h32

Polícia Federal. Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/

A Polícia Federal fez buscas nesta sexta-feira, 20, na residência e no escritório da executiva Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, suspeita de realizar a abertura e a gestão de contas de Maurício de Oliveira Guedes, o ‘Azeitona’, e Paulo Cezar Amaro Aquino, o ‘Peixe’, ex-gerentes da Petrobrás, mantidas e abastecidas com propinas da Odebrecht junto ao Banco Société Générale.

‘Jabuti’ da Petroquisa pegou R$ 28,4 mi em propinas

‘Grande surpresa’, disse corrupto ‘arrependido’ à CPI em 2015, sobre propinas na Petrobrás

Moro condena operador do PMDB a 13 anos e 8 meses de prisão

Glaucos ligou para advogado de Lula um dia antes de coercitiva do ex-presidente

Moro manda prender ex-gerente da Petrobrás na Lava Jato

Isabel mora e atua no Brasil. Documentos obtidos pelo Ministério Público Federal mediante cooperação jurídica internacional revelam que ela providenciou a papelada para abertura de contas de ‘Azeitona’ e ‘dois ex-gerentes da estatal petrolífera, por meios das quais foram ‘movimentados milhões no exterior’.

O esquema descoberto na nova fase da Lava Jato, que não ganhou nome da PF pela primeira vez, mostra que um grupo de quatro ex-gerentes da estatal petrolífera receberam R$ 95 milhões em propinas, por meio de contratos aditivados com a empreiteira. Desse total, pelo menos R$ 32 milhões foram remetidos para contas no exterior.

Em depoimento à PF, Maurício ‘Azeitona’ admitiu que abriu uma conta no Banco Société Générale, da Suíça, por sugestão do executivo da Odebrecht Rogério Santos de Araújo e que foi surpreendido pela realização de um depósito. Ele afirmou que procuroou Rogério e disse a ele ‘que não concordava com aquilo e não queria estar envolvido em nada relacionado a propina’.

‘Azeitona’ declarou que ‘não ficou com o dinheiro’. Para abrir a conta, disse à PF, teria contado com o auxílio de ‘Isabel’.

Os porcuradores dizem Isabel era representante ou agente do Banco Societé Generale no Brasil, tendo ela também auxiliado a abertura da conta em nome da offshore Kateland International utilizada por Paulo Cezar Amaro Aquino, o ‘Peixe’.

A pedido da Procuradoria, o juiz federal Sérgio Moro autorizou nuscas de provas nos endereços de um outro ex-dirigente da Petrobrás, Djalma Rodrigues de Souza, o ‘Jabuti’ – ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa – e também de Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho e de suas empresas.

“O quadro probatório é mais do que suficiente para caracterizar causa provável a justificar a realização de busca e apreensão nos endereços dos investigados”, destacou Moro. “No caso de Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, a busca terá por objetivo verificar se abriu contas no exterior para outros executivos da Petrobrás ou para outros agentes públicos.”

Moro mandou a PF fazer buscas nos endereços de ‘Jabuti’ e de Isabel – os outros ex-gerentes já haviam sido alvo da medida.

“No caso de Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, a busca terá por objetivo verificar se abriu contas no exterior para outros executivos da Petrobrás ou para outros agentes públicos”, determinou o juiz.

“Os mandados terão por objeto a coleta de provas relativa à prática pelos investigados dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa, evasão fraudulenta de divisas, além dos crimes antecedentes à lavagem de dinheiro”, anotou Moro.

COM A PALAVRA, O SOCIÉTÉ GÉNÉRALE

O Société Générale está em conformidade com todas as regulações de ‘Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Conheça seu Cliente (KYC)’ e com os padrões do mercado. O Grupo considera a luta contra a corrupção e lavagem de dinheiro como alta prioridade. Como política geral, o Société Générale não comenta casos individuais, independente de serem com clientes ou não”.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoPetrobrásOdebrecht

Tendências: