Isa Penna entra com representação no Ministério Público de São Paulo contra Fernando Cury no Conselho da Criança e do Adolescente

Isa Penna entra com representação no Ministério Público de São Paulo contra Fernando Cury no Conselho da Criança e do Adolescente

Deputado afastado do cargo por importunação sexual contra a colega foi eleito para mandato de dois anos no Condeca-SP; Isa Penna diz que conduta é 'incompatível' com a função

Rayssa Motta

20 de agosto de 2021 | 14h37

Fernando Cury foi afastado ao cargo por seis meses pela imputação sexual da deputada Isa Penna. Foto: Alesp / Reprodução

A deputada estadual paulista Isa Penna (PSOL) entrou com uma representação no Ministério Público do Estado para tentar impedir o também deputado Fernando Cury (Cidadania), afastado do cargo por importuná-la sexualmente no plenário da Assembleia Legislativa, de assumir uma cadeira no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo (Condeca-SP).

O Condeca-SP é um colegiado consultivo composto por 40 conselheiros, todos eleitos pela sociedade civil, que participam da elaboração das políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente em colaboração com o governo estadual. A eleição de Cury ocorreu no último domingo, 15, para um mandato de dois anos, entre 2021 e 2023.

No ofício encaminhado ao procurador geral da Justiça do Estado, Mário Sarrubbo, Isa Penna afirma que a conduta do deputado é ‘incompatível’ com a função e ‘inconciliável’ com o papel da entidade.

“Suas ações demonstram claramente sua inidoneidade para o desempenho da função de conselheiro, uma vez que é patente sua indiferença frente à dignidade e igualdade humanas. Assim, é mister o reconhecimento da incompatibilidade do modo de portar-se indecoroso do Deputado afastado frente às exigências colocadas para desempenho dessa função”, diz um trecho do documento.

Deputado estadual Fernando Cury. Foto: Alesp

A representação cita o Estatuto da Criança e Adolescente. O texto prevê que, para assumir o cargo, o candidato precisa ter ‘compromisso com o reconhecimento da liberdade, igualdade e dignidade humana como valores supremos’ e ‘empenho na eliminação de todas as formas de preconceito e discriminação, incentivando a promoção do respeito à diversidade’.

Além de ter sido afastado do cargo por seis meses, em uma decisão inédita da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Cury responde a uma ação penal pela importunação sexual contra a colega. Ele nega o crime e diz que deu ‘abraço’ na deputada como gesto de ‘gentileza’. O Ministério Público também investiga se, mesmo afastado, o deputado continua exercendo o mandato.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO AFASTADO FERNANDO CURY
Fernando Cury tem sua atuação aprovada no Condeca-SP e a sociedade civil reconhece seu trabalho. Ele foi reeleito para ocupar uma das 10 cadeiras, representando novamente a sociedade civil e exercerá agora seu quarto mandato dentro do conselho (sendo 2 representando anteriormente o Poder Público e 2 representando a Sociedade Civil). Além disso, Cury é presidente do Conselho, escolhido e eleito pelos seus pares da sociedade civil.

Ele foi eleito no último domingo (15) de forma democrática e exercerá novamente a função de conselheiro. É importante ressaltar que esta eleição nada tem a ver com o mandato de deputado de Fernando Cury. São coisas totalmente diferentes como explicado acima. Vale reforçar que, a despeito das provocações e informações infundadas, cada vez mais fica clara e evidente que a narrativa de algumas figuras públicas tem como objetivo angariar curtidas e comentários e manter-se na mídia. Cabe ressaltar que a defesa do deputado, com provas contundentes, irá reparar no seu devido tempo todos os erros e falsas acusações feitas inclusive pelos veículos de imprensa”.

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