Is that the best you can do?

Is that the best you can do?

Cassio Grinberg*

31 de julho de 2020 | 08h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em uma cena emblemática do filme “O show de Truman” (Estados Unidos, 1998), o personagem Truman Burbank, interpretado por Jim Carrey, toma um barco a vela, veste o chapéu de marinheiro e sai a tentar escapar de uma vida encenada por outros para ele — uma vida que na verdade nunca viveu.

Desconfiado de que era vítima de uma manipulação que o colocava como elemento central de um imenso reality show, ele reage aos efeitos especiais do vento, dos raios e da tempestade que o derrubaram de seu barco e, retornando ao comando, olha para o céu cinzento e grita a famosa frase “isso é o melhor que você consegue fazer?”.

Vivemos um momento em que o ser humano está espetacularizado como jamais esteve. De repente, parecemos atores em um cenário inverossímil, que além da pandemia inclui fenômenos extras como temperaturas negativas, ciclones, nuvens de poeira e de gafanhotos, abuso de autoridade e pessoas protestando contra campanhas publicitárias. Viramos, pior, fiscais de nós mesmos — estamos vigilantes e vigiados, com táticas um pouco estranhas para nos auto-motivar a seguir em frente.

Só que a frase de Truman Burbank não é apenas um símbolo de desobediência: ela é, também, um impulso para a provocação positiva: será que estamos, de fato, fazendo o nosso melhor?

Junto com um roteiro impressionante, recebemos uma espécie de oportunidade: a de adotar pequenas atitudes para sairmos melhores de todo esse trauma, transpondo para a esfera pessoal uma releitura da polarização que enfiamos no mundo: em vez de pinçar quem está certo e quem está errado, poderíamos de repente perguntar a nós mesmos: estou sendo tolerante ou intolerante? Gentil ou agressivo? Solidário ou egoísta? Estou falando ou escutando? Exigindo ou educando? Impondo ou aprendendo? Lembrando que podemos ser mais de uma coisa ao mesmo tempo.

Logo estaremos em outro momento, e para muitos de nós, a pandemia será a revolta de águas passadas. Mas cabe a nós mesmos escolhermos o que preferiremos enxergar do retrovisor de um tempo que, como os filmes mais emblemáticos, entrará para a história.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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