Irmãos brigam na Justiça por moletom preto, tamanho P, manga caveira

Irmãos brigam na Justiça por moletom preto, tamanho P, manga caveira

Juiz do Paraná dá 24 horas para homem entregar blusa à irmã em perfeito estado: 'será que se o moletom não aparecer teremos que chegar ao cúmulo de mandar um Oficial de Justiça procurá-lo com mandado de busca e apreensão?'

Julia Affonso

29 de maio de 2019 | 07h25

Uma briga entre dois irmãos por um moletom foi parar na Justiça do Paraná e teve seu desfecho conhecido nesta segunda-feira, 27. O juiz Rosaldo Elias Pacagnan determinou que um homem entregue a blusa ‘OKL mangas caveira Primeira Linha, tamanho P, cor preta’ em 24 horas á irmã ‘em perfeito estado’ ou o equivalente em dinheiro (R$ 79,99).

“Está certo que os Juizados Especiais também são destinados a tentar ajudar as pessoas a resolver pequenas pendências cotidianas e atritos de menor importância. Mas sempre é possível se surpreender com o que aparece”, afirmou o juiz na sentença.

Documento

De acordo com o processo, os dois irmãos moram na mesma casa em Cascavel, interior do Paraná. A cidade de 320 mil habitantes fica a cerca de 6 horas da capital Curitiba.

Na sentença, o juiz afirmou que a irmã provou ‘que comprou um blusão de moletom com seu cartão de crédito, pela internet’. Segundo o processo, ela teria colocado a compra no nome da mãe ‘para facilitar a entrega pelos Correios’. O juiz relata que após a encomenda chegar, o irmão ‘abriu, viu, gostou e pegou a blusa com desenhos de caveiras nas mangas para ele, e não devolve’.

“Essa é a disputa trazida ao Judiciário!”, afirma o juiz.

Rosaldo Elias Pacagnan destacou que não houve consenso entre ‘os brothers’ na audiência de conciliação. O magistrado registrou que o irmão foi á audiência de conciliação vestido com o moletom.

“Não seria de duvidar se ele o fizesse, dado que numa coisa tão simples e banal, tais pessoas adultas, que deveriam se amar e respeitar, conseguem a proeza de continuar brigando por uma peça de roupa. Onde é que esse mundo vai parar?”, questionou.

O juiz ponderou que se a blusa fosse da mãe, na esfera penal o irmão estaria isento de pena pela apropriação indébita ou furto.

“Mas como é da irmã, até crime, em tese, isso é (deixando de lado o princípio da insignificância, porque a roupa custou R$ 79,99). Só que para além de conceitos jurídicos, é coisa feia o que está acontecendo… E feia para os dois lados”, apontou.

“Será que se o moletom não aparecer teremos que chegar ao cúmulo de mandar um Oficial de Justiça procurá-lo com mandado de busca e apreensão? É o ódio, a insensatez ou a birra sendo mais forte que os laços de sangue, e, em igual medida, a indisposição para perdoar, tolerar, suportar o dano no ambiente doméstico. Fazer o quê? Aplicar o direito onde o amor deveria ter resolvido.”

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