Irmão de Rollemberg nega ‘ingerências’ no governo do DF

Advogado Carlos Augusto Sobral Rollemberg rebateu em nota relatório da Polícia do Distrito Federal que lhe atribui 'alta motricidade' na administração do irmão Rodrigo Rollemberg (PSB) e diz que vai 'tomar as providências cabíveis diante de tanta injustiça e dos enormes danos sofridos'

Teo Cury/BRASÍLIA

15 de agosto de 2018 | 18h26

O advogado Carlos Augusto Sobral Rolemberg, irmão do governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB), negou nesta quarta-feira, 15, que tenha recebido vantagens por ‘interferências’ no governo do DF e afirmou, por meio de nota, que irá tomar as medidas judiciais cabíveis ‘diante de tanta injustiça e dos enormes danos sofridos’.

‘Guto’, como é conhecido o advogado, é apontado pela Polícia Civil do DF como possuidor de ‘alta motricidade’ perante a administração pública e responsável por ‘atuação fundamental’ em uma organização criminosa investigada por tráfico de influência no governo para o favorecimento de empresas privadas.

As investigações acontecem no âmbito da Operação ’12:26′, deflagrada no início de agosto.

“Apontado levianamente como integrante de uma suposta organização que visa obter favores do Governo, o inquérito não indica um único ato meu que pudesse ser enquadrado em algum tipo penal. A fragilidade e a inconsistência são gritantes e perceptíveis até mesmo para os leigos”, assinalou o advogado.
O advogado classificou as acusações da polícia como ‘um ardil político para tentar atingir o governador’. “Ainda que, para tanto, tenham de manchar, irresponsavelmente, sem nenhuma preocupação, a honra de um homem de bem.”

Para a Executiva do PSB-DF, o vazamento de parte do inquérito às vésperas do início da campanha eleitoral tem por objetivo impedir a reeleição de Rollemberg. Na avaliação do partido, parte da Polícia Civil é orientada por sindicalistas e faz campanha política contra a reeleição do governador.
“É revelador do maquiavelismo e da perversa ação política que parte da polícia civil se envolveu.”

“O Partido Socialista Brasileiro se solidariza com o governador Rollemberg e seu governo, repudia e denuncia a covarde e vil articulação política que envolve parte de integrantes da polícia civil, da imprensa leviana e daqueles políticos que já foram presos e que ainda tentam retornar ao poder. Não conseguirão!”

O Governo do Distrito Federal informou, em nota, que o contrato de aluguel de um prédio na 509 Norte, firmado pela gestão anterior, em que a parte solicitava pagamentos de atrasados e indenização por danos, não foi pago e o contrato extinto. Segundo o governo, a Casa Civil determinou a abertura de Tomada de Contas Especial (TCE).

“Quanto ao pagamento de R$ 1 milhão a um hospital, há de se registrar que, quando o atual governo assumiu, existiam serviços realizados por diversos fornecedores e não pagos da ordem de R$ 600 milhões, sem contratos. Ao longo dos anos foram regularizados os pagamentos, de acordo com a legislação. Hoje, esses serviços têm contratos.” De acordo com o GDF, o servidor Marcello Nóbrega, um dos investigados, pediu exoneração do cargo comissionado que ocupava na Secretaria da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais.

Em nota, o administrador regional do Lago Norte, Marcos Woortmann, informou que as apurações demonstrarão que cumpriu o dever que seu ofício o incumbe, de cuidado e atenção com a comunidade do Lago Norte.

“O Iguatemi solicitou aumento de sua taxa de edificação de forma pública, na Secretaria de Habitação e Gestão do Território, órgão competente para análise deste pleito, que é responsável por encaminhar a proposta da LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo) para a Câmara Legislativa. A LUOS é exatamente o instrumento previsto em lei para ser o canal de discussão entre as cidades e o governo, e como representante do governo no território, sempre tenho inúmeras reuniões sobre a LUOS e vários outros assuntos de interesse da cidade, pois este é o trabalho de um Administrador Regional”, afirmou.

“Após o envio da proposta da LUOS (de todo o DF) à Câmara Legislativa, cabe àquela casa sua análise e alterações, como requer o princípio republicano de separação de poderes numa democracia. Assim, sugeri aos representantes do Iguatemi que procurassem apresentar seu pleito aos parlamentares que têm familiaridade com o Lago Norte – todos pessoas honestas e com anos de vida pública ilibada – algo que é seu direito, como é o de qualquer cidadão.”

O Shopping Center Iguatemi Brasília informou, por meio de sua assessoria, que todos os requerimentos inerentes aos planos de expansão do empreendimento foram devidamente protocolados atendendo aos trâmites legais.

A gestão Rollemberg informou ainda que o pleito da empresa de ampliar de 0,5 para 1,5 o potencial construtivo almejado não foi atendido. “Foram realizadas várias reuniões e audiências públicas, no âmbito da LUOS, e o Executivo não encaminhou qualquer alteração para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. A demanda da revisão foi sobrestada pela Secretaria de Habitação e Gestão do Território (Segeth) até a conclusão das investigações.”

Roberto Carlos Silva, da 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Prodep), repudiou a publicização de elementos investigativos relacionados ao inquérito que deu origem à Operação “12:26”. “As informações não passaram pelo juízo de valor definitivo do Ministério Público e expôs indevidamente pessoas cujas condutas recebem a proteção constitucional da presunção de inocência”, disse.

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