PF aciona Interpol para encontrar irmão de ex-ministro das Cidades

Adarico Negromonte teve prisão decretada na nova etapa da Operação Lava Jato, que também prendeu Jayme Alves de Oliveira Filho, o 'Careca', agente federal

Redação

14 de novembro de 2014 | 14h40

Corrigido às 15h03

Andreza Matais, Fábio Fabrini, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

A Polícia Federal acionou a Interpol para tentar localizar irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte. Adarico Negromonte Filho é acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa. A PF fez buscas no apartamento de Adarico em São Paulo nesta sexta-feira, 14, no âmbito da sétima fase da Operação Lava Jato.

O irmão do ex-ministro era subordinado ao doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras e lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Seu irmão comandou a pasta das Cidades no governo Dilma Rousseff.

O juiz Sérgio Moro, da Justiça do Paraná, determinou a prisão temporária (cinco dias) de Adarico Negromonte. Segundo investigadores, contudo, há dois meses, ele não é localizado.

Outra prisão. Um agente da Polícia Federal também está entre os presos pela PF nesta sexta. Ele e Adarico Negromonte seriam “mulas” do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. A prisão é temporária.

Negromonte foi citado em um grupo de pessoas que era responsável pelo transporte do dinheiro e pelos saques em espécie para pagamento das propinas. Eles também atuavam como uma ESPécie de delivery de dólares, segundo a Procuradoria da República.

“Esses valores em espécie eram transportados pelo denunciado, em voos domésticos, ocultados no corpo ou em alguma valise, pela utilização de aviões particulares ou, ainda, valendo-se de veículos blindados, de transporte de valores”, informam os investigadores da Lava Jato.

O nome do irmão do ex-ministro de Cidades, conhecido como Maringá, está registrado em um dos 32 telefones apreendidos com o doleiro, em março deste ano, quando Youssef foi preso em São Luís (MA). São ao todo 34 trocas de ligação e mensagens com Youssef, alvo dos grampos.

Os autos da Lava Jato mostra a foto do irmão do ex-ministro ao lado da observação: “Transporte de dinheiro em espécie. Obs: irmão do ex-ministro Mário Negromonte.”

Em documentos apreendidos na sede de uma das empresas de Youssef, a GFD Investimentos – escritório de negócios do grupo em São Paulo – foi encontrada uma tabela de contabilidade com referências a “transferências” com o nome Maringá à frente. Para a PF, são os valores movimentados pelos transportadores e suas participações nos negócios.

O agente federal usava seu cargo para facilitar o transporte de dinheiro de Youssef, afirma a PF. É Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca. Ele atua no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e há suspeitas de que atuava também como informante do grupo.

A análise dos grampos apontou 66 conversas entre o doleiro e Careca. Numa delas, o policial teria levado dinheiro em espécie para um endereço em Belo Horizonte, onde funciona uma unidade da empresa UTC. A construtora incorporou a Constran – beneficiada no precatório do Maranhão – e é investigada na Lava Jato por ser sócia do doleiro em negócios na Bahia. O grupo UTC/Constran é também sócio da concessionária vencedora do leilão do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, em fevereiro de 2012. O grupo nega ilegalidades e diz não ser sócio do doleiro.

Careca foi citado também no depoimento da doleira Nelma Kodama, presa na Lava Jato e ex-namorada de Youssef e do doleiro Raul Srour – outro detido da operação – por ter sido o policial indicado pelo doleiro para vender informações privilegiadas da PF. Ela disse ter pago R$ 40 mil ao agente, que ela chama de Careca, para receber antecipadamente as perguntas de outra investigação em que ela seria inquirida no Rio.

Delivery. Além dos “mulas” usados para agilizar as entregas e dissuadir a polícia, a denúncia da Lava Jato afirma que Youssef montou um “eficiente e rápido sistema de entrega à domicílio” de dinheiro do câmbio negro. “Em que os valores eram levados por portadores de confiança na residência do cliente. Para tanto, os transportadores da moeda inclusive viajavam de avião, para que a ‘entrega’ chegasse mais rápida. “

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