IoT no pós-pandemia: como a internet das coisas pode ajudar o mundo depois do coronavírus

IoT no pós-pandemia: como a internet das coisas pode ajudar o mundo depois do coronavírus

Sergio Souza*

04 de outubro de 2021 | 04h00

Sergio Souza. FOTO: DIVULGAÇÃO

A capacidade demonstrada pelas organizações ao mudarem rapidamente seus regimes de trabalho para o modelo remoto, por conta das restrições impostas pela pandemia do Coronavírus, foi benéfica não somente para a manutenção das operações durante um período de tantas incertezas. O sucesso obtido com as novas rotinas operacionais prova que esses benefícios permanecem além da pandemia. Levantamento recente da consultoria Gartner indicou que quase 41% dos funcionários continuarão a trabalhar remotamente por pelo menos parte do tempo, um aumento de 30% em relação ao cenário pré-Covid-19.

Fator fundamental para que essa nova realidade fosse possível foi o suporte de soluções IoT. A obtenção de melhores resultados e ROI depende das empresas gerenciarem os detalhes granulares que fazem um ecossistema de IoT funcionar sem problemas, com capacidade de adaptação e escala, conforme os negócios evoluam ou precisem atender a novos cenários. Nesse sentido, a tecnologia IoT oferece a vários setores o suporte para uma força de trabalho remota, bem como para a continuidade dos negócios e a eficiência operacional.

Na indústria de manufatura, por exemplo, a tecnologia IoT tem a capacidade de permitir que técnicos monitorem e mantenham equipamentos sem estarem fisicamente presentes – o que antes parecia impossível. Sensores conectados ao software em nuvem permitem relatórios e dados acionáveis para monitorar a condição e o uso desses equipamentos e, se qualquer violação de limite for detectada, os técnicos serão alertados.

A manutenção e as atualizações do serviço de campo podem ser ineficientes e caras, principalmente quando um problema exige várias visitas. As soluções IoT industriais podem automatizar processos como esse conectando técnicos de serviço de campo a sistemas de back-end, por meio de tablet, wearable ou smartphone. Isso permite programar e coordenar a manutenção preventiva e os reparos de emergência com facilidade, independentemente da localização.

Outro setor que pode se beneficiar das soluções de IoT é o de alimentos. O gerenciamento da cadeia de suprimentos pode ajudar as empresas a obterem visibilidade de alto nível e insights acionáveis por meio de análise de dados. Com sensores, algoritmos, software em nuvem, plataformas e muito mais, a capacidade de rastrear ativos ao longo da cadeia significa menos necessidade de presença física.

Aliás, a importância de uma eficiência cada vez maior na gestão de cadeias de suprimentos nunca foi tão explícita quanto na pandemia, momento em que ficou demonstrado o que acontece quando elas são sobrecarregadas por alta demanda, como foi o caso da distribuição de vacinas em todo o mundo, um ativo valioso e sensível à temperatura e com uma gestão mais crítica do que nunca, deixando os gerentes de logística em busca das melhores soluções tecnológicas.

Ainda tratando de segmentos fundamentais para a sociedade, temos a área da saúde, com crescente adoção de novas tecnologias em 2020 e investimentos significativos. De acordo com o portal Fierce Healthcare, o financiamento para inovação em saúde apenas no primeiro semestre de 2020 atingiu US $ 9,1 bilhões e espera-se que cresça a partir daí. A tecnologia IoT para saúde conectada está alimentando soluções inovadoras que oferecem suporte ao trabalho remoto em segmentos como monitoramento remoto de pacientes, testes clínicos descentralizados e tecnologia de saúde vestível, além de sistemas móveis de resposta a emergências pessoais (mPERS).

Fica evidente que, seja na indústria de manufatura, na saúde ou na cadeia de suprimentos, a pandemia provocou muitas mudanças, em especial a aceleração da transformação digital. E quando pensamos no mundo pós-pandemia, as empresas que estão tirando lições e vantagens de tecnologias como o IoT, IA, VR e muitas outras, advindas dessa nova realidade, sairão na frente.

*Sergio Souza é vice-presidente da KORE no Brasil

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