Investindo na América

André Salles*

17 Novembro 2017 | 05h00

Não é segredo que os brasileiros buscam, cada vez mais, oportunidades no exterior. As crises, econômica e política; as denúncias de corrupção envolvendo partidos políticos e empresas e o aumento da insegurança têm levado milhares de brasileiros a reiniciar a vida em outro país. Somente em 2016, cerca de 18 mil pessoas deixaram o Brasil em definitivo, mais do que o dobro dos 8 mil que partiram para uma nova vida no exterior em 2011. E um dos destinos preferidos são os Estados Unidos. Segundo dados do Itamaraty, já somos mais de 1,3 milhão vivendo em cidades norte-americanas. E as razões para a escolha são simples: a busca por melhor renda, qualidade de vida e cidades mais seguras, além dos baixos índices de violência urbana.

A verdade é que o reaquecimento da economia norte-americana vem proporcionando excelentes oportunidades para quem toma a decisão de investir nos Estados Unidos. No entanto, o pleno conhecimento sobre o mercado e a aquisição de informações corretas são fatores fundamentais para a realização de bons negócios e a consequente obtenção do tão almejado visto de residência, o “Green Card”.

Atualmente, percebemos que os investidores brasileiros, em sua maioria, são casais, com idades entre 35 e 50 anos e filhos em idade escolar. O mais interessante é que essas pessoas não têm origem em apenas um Estado ou região. Elas têm chegado de todo o Brasil. São brasileiros que vêm buscando diversificar o portfólio de investimentos, com alta rentabilidade e a segurança proporcionada pelo dólar.

Entre as quatro principais categorias de vistos concedidas pelo consulado norte-americano, o EB-5 é o mais procurado pelos brasileiros e o mais indicado para os que desejam obter o “Green Card”. Quando levamos em conta os Estados ou cidades onde essas pessoas preferem investir se destacam destinos muito procurados também por turistas como Califórnia, Nova York e Flórida, com destaque para Miami e Orlando. O movimento tem sido tão intenso que, recentemente, os brasileiros passaram a ocupar a quarta posição entre os estrangeiros que mais investem nos Estados Unidos e estão na liderança quando levados em conta apenas os números da Flórida.

O EB-5 possibilita ao investidor, cônjuge e filhos menores de 21 anos a conquista do green card. As opções são o investimento pessoal de US$ 1 milhão em um empreendimento comercial que gere, pelo menos 10 empregos, ou, nos chamados centros regionais, a partir da aplicação de US$ 500 mil em áreas rurais ou com altos índices de desemprego. O processo não é demorado e leva, em média, pouco mais de um ano.

Criado pelo Congresso dos Estados Unidos, em 1990, para facilitar e estimular investimentos naquele país, várias reformas foram realizadas, com vistas ao aumento da demanda por esses vistos.

Anualmente, a Imigração dos Estados Unidos e o Serviço de Cidadania reservam 10.000 vistos para os investidores. E, mesmo com a chegada de Donald Trump ao poder, ao contrário do que muitos imaginavam, não foram registradas, até o momento, mudanças por parte do governo norte-americano em relação à concessão desses vistos. A atual administração tem se mostrado altamente favorável à atração de investimentos externos e o programa EB-5 é um dos formatos mais eficientes.

O atual presidente dos Estados Unidos é conhecido pelo apoio à formação de pequenas empresas e à expansão de franquias, segmento que responde pela criação e manutenção de milhões de empregos no País. É importante lembrar que, ainda durante a campanha, Donald Trump deu enorme destaque à importância da geração de empregos em solo americano. Alguns especialistas na concessão de vistos acreditam, inclusive, que o programa poderá ficar ainda melhor, a partir de propostas feitas por integrantes da atual administração, que tem entre seus membros inúmeros empresários de sucesso. Sem contar o próprio Donald Trump que já adotou o programa EB-5 em alguns de seus empreendimentos.

E tem sido a partir da captação de investimentos através do programa EB-5, que empresas especializadas na construção e gerenciamento de hotéis tem crescido no mercado brasileiro. Mais do que atrair investidores, temos como objetivo orientar e esclarecer os brasileiros que querem investir e se mudar para os Estados Unidos. É por essa razão que temos realizado dezenas de eventos em cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. O Brasil é, atualmente, um mercado estratégico para a captação de investidores, um país que, de maneira geral, conta com investidores com perfil sofisticado, que buscam oportunidades de investimentos em dólar, com alta rentabilidade e o máximo de segurança.

Um dos investimentos que vem atraindo cada vez mais os brasileiros é a indústria de hotéis. Atualmente, o mercado norte-americano conta com cerca de 50 mil hotéis e cinco milhões de apartamentos. Anualmente, são realizadas mais de 2.000 transações de compra e venda, movimentando mais de 40 bilhões de dólares em um negócio extremamente rentável. Após a compra do hotel por uma empresa especializada no segmento, os brasileiros são convidados a investir em hotéis geradores de fluxo de caixa, a partir do mesmo preço que foi pago. A operação do hotel é totalmente assumida pela empresa.

Os resultados são excelentes, com cotas mínimas a partir de 100 mil dólares e rentabilidade a partir de 15% ao ano, com pagamentos trimestrais de dividendos. Por se tratar de empresas que lidam com algumas das mais renomadas marcas do mundo, o retorno acontece no prazo esperado e, o melhor, sem os riscos comumente enfrentados por quem investe em negócios sem tradição, sem um plano de negócios bem fundamentado e, sobretudo, sem o conhecimento sobre a cidade onde vai atuar. Não são poucos os casos de empresas estruturadas e tradicionais que, sem a consultoria adequada, naufragaram em suas experiências em solo americano.

Investir nos Estados Unidos não é para todos. Isso é fato! Mas, a partir da contratação da consultoria adequada, identificação do investimento com o perfil correto e acompanhamento da iniciativa, desde o início, por profissionais especializados e com experiência no mercado, é algo extremamente viável e, em tempo de crise por aqui, é altamente indicado.

*Economista e Diretor da Driftwood Acquisitions & Development

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