Investimentos e produção científica são base para o Programa Espacial Brasileiro

Investimentos e produção científica são base para o Programa Espacial Brasileiro

Carlos Moura*

24 de março de 2021 | 09h15

Carlos Moura. FOTO: DIVULGAÇÃO

Vivemos um dia histórico para o Programa Espacial Brasileiro (PEB). Na madrugada desta segunda-feira (22), na icônica base russa, no Cazaquistão, foi lançado ao espaço o NanosatC-BR 2, nanossatélite de monitoramento geoespacial com tecnologia projetada no Brasil. Trata-se do resultado de um encontro de gerações. Protagonizada por estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, a missão foi consolidada pelo esforço conjunto de atores tradicionais e recentes do setores público e privado, atuantes na atividade espacial brasileira.

Têm crescido, nos últimos anos, as expectativas para o fomento ao PEB. O empenho do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e de todo o Sistema Nacional de Desenvolvimento de Atividades Espaciais (Sindae), aliado às parcerias de comunidades científicas, associações e indústrias de base tecnológica, demonstrou uma visão clara acerca da necessidade de valorização do investimento contínuo em educação e pesquisa no País.

A imersão de diferentes setores para a execução dos inovadores projetos espaciais apresenta-se como um grande ativo para novas conquistas científicas brasileiras. A continuidade desse movimento deve garantir a liberação e a aplicação eficiente de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia (FNDCT), para a evolução da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), desde o ensino fundamental até as universidades.

É importante salientar que as atividades acadêmicas estão posicionadas junto às bases de sustentação das missões que compõem o PEB. O Programa Nanossatélite Científico Brasileiro (NanoSatC-Br), que acaba de lançar o segundo artefato no padrão cubesat, prioriza, justamente, a integração e a formação de professores universitários, alunos, pesquisadores e tecnologistas para a produção de conhecimento científico e tecnológico.  Essa capacitação, cada vez mais, evidencia as potencialidades do País para atuar no cenário mundial, seja no domínio das ciências, seja no efervescente mercado espacial. Podemos, sim, contribuir desde o desenvolvimento de inovações tecnológicas para a sociedade até o incremento da economia, por meio de serviços e riquezas geradas pela indústria espacial.

Com o fortalecimento de engenharias em caráter multidisciplinar, ciências da computação e espaciais e desenvolvimento em âmbito industrial, o PEB tem o compromisso de preparar uma nova geração de profissionais, pesquisadores e promotores do conhecimento e dos negócios derivados do setor espacial. Exemplo disso é que, junto ao Sindae, por meio do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), alunos dos ensinos fundamental a médio são incentivados a buscar vocações no campo da CT&I: valem-se de atividades extracurriculares em projetos educativos, como olimpíadas de conhecimento e a terceira edição do CubeDesign, para criação de pequenos satélites.

Em outro exemplo, o PEB logrou o envolvimento de 23 equipes, de 22 universidades, na resposta ao desafio do Anúncio de Oportunidade de Apoio aos Grupos de Foguetes Acadêmicos. Concebido e financiado pela AEB, e operado pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE), o Anúncio abre perspectivas em relação a inovações em propulsão e em concepção de veículos, com discussão de alto nível sobre recomendações de segurança e com intercâmbio entre equipes atuantes.

Sempre com foco em avanços concretos em pesquisas e capacitação de recursos humanos e operacionais, o Programa Espacial deu mais um passo nesta semana, ao colocar em órbita o NanoSatC-BR 2. Este, sem dúvida, favorecerá o Brasil a posicionar-se à frente em pesquisas relacionadas a Geoespaço, Aeronomia, Geofísica Espacial e Engenharias e Tecnologias Espaciais. O emprego do modelo cubesat, com plataformas padronizadas e de baixo custo, otimizará o acesso às tecnologias pela indústria especializada. Intensifica-se, assim, o surgimento de novos projetos, aplicações e negócios, acelerando-se as atividades espaciais no País e induzindo prosperidade por meio do conhecimento.

*Carlos Moura é presidente da Agência Espacial Brasileira

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