Investimento em influência deve crescer 71% em 2021. Quais os impactos no setor jurídico?

Investimento em influência deve crescer 71% em 2021. Quais os impactos no setor jurídico?

Bruno Pedro Bom e Luísa Peleja*

10 de agosto de 2021 | 13h35

Bruno Pedro Bom e Luísa Peleja. FOTO: DIVULGAÇÃO

Segundo pesquisa da YouPix, o marketing de influência já é uma estratégia central de empresas de diferentes segmentos.

Na terceira edição de sua pesquisa ROI e Influência 2021, o YouPix constatou que o marketing de influência continua ganhando espaço na estratégia de empresas e a pandemia corroborou para o resultado. Essa versão do relatório contou com entrevistas por 94 empresas de diferentes segmentos.

Todos os entrevistados afirmaram que o marketing de influência é importante e faz parte de sua estratégia. Para 71%, a modalidade é parte central de seu planejamento. Um fator que intensificou essa busca por influenciadores foi a pandemia. Cerca de 83% dos entrevistados afirma que, com a pandemia, o trabalho com influenciadores se tornou mais estratégico para os seus negócios.

Toda essa intenção se refletiu em investimento. De acordo com Bia Granja, sócia e consultora de influência do YouPix, a quantidade de empresas investindo mais de R$5 milhões por ano dobrou. A faixa de investimento entre R$ 300 mil e R$ 1,5 milhão cresceu em 68% de 2019 para 2021. Este ano, espera-se que o investimento cresça em 71% em relação a 2020.

O maior investimento ocorreu sob essa composição: 80% de contratação direta de influenciadores, 79% de conteúdo, produção e edição, e 65% de tecnologia e ferramentas. As marcas estão alocando seus recursos em conteúdo e, já as experiências, como eventos e press kits diminuíram de importância.

No setor jurídico, este movimento ainda de forma muito incipiente, não refletiu uma adoção de estratégia por parte dos escritórios, inclusive nos mais arrojados. Mas, de que maneira os escritórios de advocacia e os advogados podem usufruir desses dados enquanto a oab ainda discute a padronização de anúncios patrocinados nas redes sociais e no Google? Humanizando e trazendo pessoalidade para sua comunicação. Pessoas se conectam com pessoas e as redes sociais são instrumentos dessas relações. É através dessa relação que é gerado o laço de confiança, fundamental no exercício da advocacia.

Uma das maneiras mais efetivas de humanizar a comunicação é mostrando que ela é feita de pessoas para pessoas. Quem são os colaboradores/ influenciadores por trás da visão, missão e valores de uma marca?

O consumidor quer saber que existem outros indivíduos por trás do atendimento e da prestação de serviço. Isso ajuda tanto a gerar identificação com a marca como a também gerar a percepção de que o seu produto ou serviço é feito por pessoas que entendem as necessidades dele.

Embora muitos advogados ainda se mostrem relutantes com relação ao seu uso, a presença nas redes sociais é inevitável e pode ser uma excelente forma de marketing, pois possibilita se manter na memória dos potenciais clientes, facilitando a conquista de novos.

Ao abrir um espaço para o diálogo e fornecer conhecimento, você retém a atenção da audiência e retenção é a nova aquisição. É muito mais fácil lembrar de alguém ou algum escritório o qual você já tem algum vínculo a um com uma comunicação meramente institucional.

O mais interessante? Se observarmos o código de ética, esta iniciativa está absolutamente em conformidade com o texto legal, mesmo o código amparado na obsolescência. O epicentro da publicidade jurídica, em consonância com o CEDOAB, deve pautar-se no caráter informativo.

“O melhor marketing é aquele que não parece marketing”, a máxima de Tom Fishburne, nos ensina que no fluxo jurídico para consolidação de reputação, o melhor caminho é tornar o meu cliente o meu “vendedor” ou melhor, meu embaixador; o bom e velho “boca a boca” é elevado por meio destes embaixadores da nossa marca, vozes defensoras, com paixão e propriedade, que ecoarão os benefícios na contratação dos meus serviços jurídicos.

O Community Manager, por exemplo, é profissional consolidado nas áreas de empreendedorismo e startups, e é cada vez mais requisitado. É tarefa dele lidar com os diferentes tipos de comunidade que se relacionam com uma organização. Ele é responsável por se relacionar com a comunidade de uma organização.

Para o Head de Community do Distrito, plataforma de inovação de grandes empresas, Emiliano Agazzoni, muitas vezes se confunde comunidade com um simples grupo de pessoas. “Além disso, confunde-se a arte de relacionar-se com pessoas com um equivalente à comunidade. Comunidade é muito mais do que isso. É algo mais complexo que requer planejamento e uma constante estratégia de engajamento com seus membros”, afirma.

Assim, é sempre bom exemplificar. Imagine uma empresa que tem uma plataforma digital que conecta um grupo de pessoas interessadas num serviço com quem irá prestar esse serviço. Desta forma, temos uma comunidade se formando. O Community Manager será o responsável por lidar com esse ecossistema. Fazer o relacionamento. Participar da linguagem e ser a ponte entre a comunidade e a empresa tutelada.

No cenário jurídico, podemos citar como exemplo a Monika Hosaki, Head of Community do escritório focado em Direito Digital, Baptista Luz Advogados. Ou a coautora deste artigo, Luisapeleja, que está na vanguarda na consolidação de reputação e relacionamento digital do maior escritório do Brasil, o Nelson Wilians Advogados.

Influenciadores digitais, Community Manager ou embaixadores, não importa a nomenclatura. A migração coercitiva de todos os setores, inclusive o jurídico, para a esfera online, potencializada pela conjuntura pandêmica, foi percursora de um efeito de saturação na comunicação, o que gera uma percepção de mesmice e resistência na captação da atenção, este novo profissional tem um papel fundamental no estreitamento de uma comunicação cada vez mais engajada, colaborativa e humanizada entre marcas e clientes, trazendo maior relevância e diferenciação personalizada nos novos relacionamentos digitais.

*Bruno Pedro Bom, advogado e publicitário, fundador da BBDE Marketing Jurídico, diretor de Marketing do IBDP. Autor da obra Marketing Jurídico na Prática publicado pela editora Revista dos Tribunais

*Luísa Peleja, jornalista, comunicadora e fundadora da Coco Lab Marketing Digital

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