Investigação sobre Lula não constitui juízo de valor sobre quem ele é, diz Lava Jato

Investigação sobre Lula não constitui juízo de valor sobre quem ele é, diz Lava Jato

Procuradores argumentam que 'em uma República, mesmo pessoas ilustres e poderosas devem estar sujeitas ao escrutínio judicial quando houver fundada suspeita de atividade criminosa'

Andreza Matais, Ricardo Brandt e Julia Affonso

04 de março de 2016 | 09h12

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirmou nesta sexta-feira, 4, que a investigação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘não constitui juízo de valor sobre quem ele é ou sobre o significado histórico dessa personalidade’.

O petista é o principal alvo da Operação Aletheia, ápice da Lava Jato que desmontou esquema de corrupção na Petrobrás.

Lula foi conduzido coercitivamente – quando o investigado é levado para depor – até a sala vip do Aeroporto de Congonhas, onde está depondo. Investigadores informaram que o ex-presidente está respondendo às perguntas da força-tarefa da Lava Jato.

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“Ressalta a força-tarefa do Ministério Público Federal que a investigação sobre o ex-presidente não constitui juízo de valor sobre quem ele é ou sobre o significado histórico dessa personalidade, mas sim um juízo de investigação sobre fatos e atos determinados, que estão sob suspeita”, informou a Procuradoria.

A Aletheia cumpre mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva. O petista é investigado em quatro frentes.

“Há evidências de que o ex-presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora. Também são apurados pagamentos ao ex-Presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras”, diz a força-tarefa.

Os investigadores apontam ‘fortes indícios’ de que, entre 2010 e 2014, Lula recebeu pelo menos R$ 770 mil ‘sem justificativa econômica lícita’ do pecuarista e amigo dele José Carlos Bumlai – preso desde 24 de novembro na Operação Passe Livre, desdobramento crucial da Lava Jato que apontou para o suposto envolvimento do ex-presidente no esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

“Dentro de uma República, mesmo pessoas ilustres e poderosas devem estar sujeitas ao escrutínio judicial quando houver fundada suspeita de atividade criminosa, a qual se apoia, neste caso, em dezenas de depoimentos e ampla prova documental”, sustenta a força-tarefa. “Conforme colocou a decisão judicial, “embora o ex-presidente mereça todo o respeito, em virtude da dignidade do cargo que ocupou (sem prejuízo do respeito devido a qualquer pessoa), isso não significa que está imune à investigação, já que presentes justificativas para tanto.”

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