Investigação com base em banco nacional de DNA fica em terceiro lugar em prêmio internacional

Brasil concorreu com 17 finalistas de quatro países no DNA Hit Of The Year; inquérito envolveu crimes de violência contra mulheres em quatro estados em que criminoso foi identificado por meio de análise do perfil genético

Redação

19 de maio de 2019 | 09h15

Uma investigação brasileira, auxiliada por meio Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), figurou em terceiro lugar como um dos casos mais emblemáticos do mundo. O reconhecimento é de um importante concurso internacional, o DNA Hit of the year. O Brasil concorreu com 17 finalistas de quatro países.

As informações foram divulgadas pelo site do Ministério da Justiça. O aprimoramento do uso do Banco Nacional de Perfis Genéticos tem sido defendido pelo ministro Sérgio Moro.

O case contemplado é o primeiro no Brasil em que um suspeito de crimes sexuais em série foi identificado por meio de exame de DNA, com a assistência dos bancos de dados brasileiros.

“O cruzamento de informações por meio da alimentação do Banco Nacional de Perfis Genéticos permitiu a comparação de perfis oriundos de vestígios de locais de crimes ocorridos e processados pelos Laboratórios de Genética Forense dos estados de Amazonas, Mato Grosso e Goiás. Tais dados coincidiram com o perfil genético de indivíduo identificado criminalmente trazendo, desta forma, informações importantes para as equipes de investigação destes estados. Por meio de tais coincidências, foi possível relacionar o suspeito a uma série de crimes em diferentes estados brasileiros no decorrer de vários anos. O fortalecimento da Rede Integrada de Banco de Perfis Genéticos é fundamental para que mais casos sejam solucionados, auxiliando as investigações policiais e o judiciário”, afirmou a Coordenadora do Comitê Gestor da Rede Integrada, Aline Minervino.

A comissão julgadora elogiou o crescimento do Brasil na atuação envolvendo os bancos de dados de perfis genéticos e ressaltou a importância de dar continuidade aos projetos de coleta de condenados e de processamento de amostras de crimes sexuais.

Entenda o caso

Entre os anos de 2012 e 2015, várias mulheres foram violentadas nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Goiás. O agressor tinha o costume de agir sempre da mesma maneira e mudava constantemente de cidade. Em 2015, o criminoso foi preso em Rondônia após cometer roubos e um estupro. O material biológico dele foi coletado e seu perfil foi comparado com outros casos investigados no estado vizinho de Mato Grosso. A comparação imediatamente confirmou o envolvimento do suspeito em quatro estupros. Quando os perfis genéticos do acusado foram enviados para o Banco Nacional, novas compatibilidades foram encontradas com três perfis inseridos pelo banco de dados do estado do Amazonas. Em fevereiro de 2018, analisando amostras coletadas de duas vítimas de estupros na cidade de Goiânia, o laboratório de DNA de Goiás obteve dois perfis genéticos semelhantes. Atualmente, o estuprador em série está sendo investigado por abuso sexual de mais de 50 vítimas.

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