Investigação aponta disputa em secretaria

Investigação aponta disputa em secretaria

Segundo a PF, PTB e Solidariedade tinham influência em área responsável por análise de registro de sindicatos

Breno Pires e Fabio Serapião/BRASÍLIA

06 Junho 2018 | 04h59

Força Sindical foi alvo da Operação Registro Espúrio, deflagrada no dia 30 de maio de 2018. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

A Polícia Federal diz que o esquema instalado na Secretaria de Relações do Trabalho tinha dois grupos que disputavam influência para aprovar ou rejeitar registros sindicais, mas que mantinham “relação cordial” porque as fraudes dependiam de manifestações conjuntas nas notas técnicas. A disputa se dava também de acordo com as conveniências do lado político que exercia influência em cada grupo, afirma a PF.

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Na cúpula da secretaria, sob influência do Solidariedade e da Força Sindical, estava Carlos Lacerda, que integra os quadros do partido e da central. Apoiado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), Lacerda caiu em abril, junto com seu braço direito, Leonardo Cabral, e a servidora Renata Frias Pimentel. As determinações de Paulinho, transmitidas por seu chefe de gabinete na Câmara, Marcelo Cavalcanti, eram cumpridas “de forma cega” por Lacerda, segundo a PF.

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Do lado sob influência do PTB estava o servidor Renato Araújo Júnior, que, segundo a PF, atuava com o deputado Wilson Filho (PTB-PB) e o primeiro-secretário-geral do partido, Norberto Martins – apontado como intermediário do presidente da legenda, Roberto Jefferson. Araújo Jr. contaria com Jéssica Capeletti – apontada como integrante do “núcleo captador” do esquema investigado pela Registro Espúrio –, tanto na elaboração de notas técnicas quanto para estabelecer contato com o “núcleo administrativo” do grupo. Nessa relação, PTB e Solidariedade, segundo a PF, “tomaram de assalto” o Ministério do Trabalho.

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As defesas de Araújo Jr., Jéssica Capeletti, Marcelo Cavalcanti e Norberto Martins não foram localizadas. A defesa de Renata Pimentel disse já ter pedido a revogação da prisão ao Supremo Tribunal Federal e afirmou que a PF não apontou pedido ou recebimento de propina.

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O Solidariedade e Paulinho da Força informaram, em nota, que “os fatos relatados na matéria são ilações feitas por policiais, não são verídicos e não possuem laço documental”.

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Roberto Jefferson disse que nem ele nem a direção do PTB participaram de “negociações espúrias” no Ministério do Trabalho. Wilson Filho também negou envolvimento em esquema na pasta. Disse que não tem nenhum tipo de indicação política para cargos na secretaria e que está “tranquilo”.