‘Intolerável’

‘Intolerável’

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV protesta contra agressões sofridas por profissionais de imprensa durante manifestações 'Fora, Temer'

Mateus Coutinho e Julia Affonso

05 de setembro de 2016 | 17h50

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) classificou como ‘intolerável’ as agressões sofridas por profissionais de imprensa por parte de policiais militares e de um manifestante do ato ‘Fora, Temer’ no Rio.

No protesto realizado neste domingo, 4, na capital paulista, repórter da BBC Brasil, Felipe Souza, cobria a manifestação contra o presidente Michel Temer quando foi agredido por policiais.

“O jornalista estava identificado com colete e crachá da imprensa, mas, ainda assim, foi vítima de pelo menos quatro policiais que deveriam zelar pela segurança do protesto. Ele teve, também, o celular danificado enquanto fazia as gravações”, diz nota da Abert.

O texto cita também o episódio com a reportagem do Estadão no Rio, onde o engenheiro Rubem Ricardo Outeiro de Azevedo Lima, de 58 anos, se aproximou do veículo do jornal aos gritos de ‘jornal fascista’ e ‘golpista’.

Clashes break out between riot police and supporters of Brazil's sacked ex-president Dilma Rousseff who demonstrate four days after she was impeached by the Senate, along Paulista Avenue in Sao Paulo, Brazil, on September 4, 2016. The 68-year-old leftist leader must leave the Alvorada official residence in Brasilia within a month after senators voted on August 31 to fire her over charges she illegally manipulated the national budget. Rousseff said she will continue the fight against her successor Michel Temer from her adopted hometown, Porto Alegre. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Manifestante diante de blindado da PM em ato pelo ‘Fora, Temer’. / AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Ele chutou o carro, amassando o porta-malas e a porta do motorista. O funcionário do Estadão, de 65 anos, não foi ferido.

Outros manifestantes e motoristas que passavam no local viram a cena e se solidarizaram com o motorista do Estadão. O agressor chegou a bater no vidro de pelo menos mais um veículo, intimidando os passageiros. No carro do Estadão, só estava o motorista do jornal.

A advogada Rosalina Maria Cláudio Pacífico, moradora de Copacabana que participava do protesto desde o início, disse ter presenciado o momento em que o manifestante atacou o carro da reportagem.

Segundo Rosalina, o agressor parecia “isolado” dos demais participantes do ato público.
“A manifestação já estava se dispersando, na Avenida Princesa Isabel, quando um grupo resolveu seguir até o Canecão. As pessoas estavam andando devagar quando um senhor passou pelo carro do jornal, e chutou o carro. Um grupo de pessoas escutou o barulho. Eu disse para ele: ‘você não devia ter feito isso, não pode vincular esse seu ato isolado ao nosso movimento, que é legítimo’. Ele respondeu ‘o carro é do jornal, é do jornal’ e saiu correndo”, contou a advogada.

Na nota divulgada hoje, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV afirma que pelo menos dez casos de agressões contra profissionais da imprensa foram registrados nos protestos da semana passada e pede que as autoridades façam uma “apuração rigorosa” dos fatos e punam os culpados.

“A cada nova manifestação, são várias as ocorrências que têm como vítimas jornalistas no exercício da profissão. Na última semana, pelo menos dez casos de agressões contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação foram registrados”, conclui.

A ÍNTEGRA DA NOTA DA ABERT:

“A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) considera intolerável que, mais uma vez, profissionais e veículos de comunicação tenham sido alvos de agressões por parte da Polícia Militar e de manifestantes durante cobertura jornalística de protestos populares.

Na noite de domingo (4), o repórter da BBC Brasil, Felipe Souza, foi atingido por vários golpes de cassetete desferidos por PMs durante manifestação na Zona Oeste de São Paulo (SP). O jornalista estava identificado com colete e crachá da imprensa, mas, ainda assim, foi vítima de pelo menos quatro policiais que deveriam zelar pela segurança do protesto. Ele teve, também, o celular danificado enquanto fazia as gravações.

Já no Rio de Janeiro, um carro de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo foi atacado por manifestantes durante protesto em Copacabana.

A cada nova manifestação, são várias as ocorrências que têm como vítimas jornalistas no exercício da profissão. Na última semana, pelo menos dez casos de agressões contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação foram registrados.

A ABERT lembra que o acesso à informação é um direito da sociedade garantido pela Constituição Brasileira.
São extremamente preocupantes os repetidos atos de violência que tentam impedir a livre e necessária atuação da imprensa. Mais uma vez, a ABERT pede às autoridades competentes a apuração rigorosa dos fatos, além da punição dos responsáveis.

PAULO TONET CAMARGO
Presidente”

A NOTA DA ASSOCIAÇÃO DE CORRESPONDENTES ESTRANGEIROS:

“A Associação dos Correspondentes Estrangeiros também se manifestou:

A Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE) repudia as agressões de efetivos da Polícia Militar (PM) de São Paulo contra profissionais da imprensa que estavam trabalhando na cobertura dos protestos deste domingo 4 de Setembro.

As agressões verbais e físicas registradas pelo repórter da BBC Brasil, Felipe Souza, repetem um padrão de abusos contra a imprensa que vem sendo registrado desde os protestos de 2013, especialmente quando os manifestantes são de oposição ao governo de São Paulo, o que fere não apenas aos jornalistas, mas a liberdade de expressão, e o direito de protestar garantido pelas instituições democráticas do Brasil e do exterior.

Desde 2013 jornalistas brasileiros e correspondentes de meios internacionais têm sido feridos, alguns com gravidade, como no caso do fotógrafo Sérgio Silva, que perdeu a visão durante uma cobertura, atingido por uma bala de borracha da PM, en junho de 2013.

A ACE apoia também o apelo de entidades nacionais e internacionais que defendem o exercício da atividade jornalística, pedindo ao Governo de São Paulo que investigue e puna os abusos registrados contra jornalistas e cidadãos desarmados.

Diretoria ACE
Setembro de 2016”

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