Internet completa 50 anos de polêmicas

Internet completa 50 anos de polêmicas

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita*

05 de dezembro de 2019 | 10h00

Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita. FOTO: DIVULGAÇÃO

As polêmicas relacionadas a internet e seu uso já datam 50 anos, e até o presente momento, empresas e usuários ainda não sabem ao certo quais as normas e regras de utilização deste genial instrumento de comunicação. Abaixo um breve relato sobre esse tema:

Genesis

Em 1974, a abreviação do termo provisório internetworking fez com que o termo INTERNET fosse usado pela primeira vez. Na década de 80, uma pesquisa do cientista britânico Tim Berners-Lee resultou na World Wide Web (WWW). Em seu laboratório no CERN, na Suíça ele conseguiu a interligação (link) documentos de hipertexto em sistemas de informação, acessíveis de qualquer ponto daquela rede virtual muito primitiva.  Berners-Lee também criou o HTML, uma linguagem de marcação usada na criação de sites, e do HTTP, o principal protocolo que estabelece as conexões de internet em todo o mundo. Ele ainda criou em 1990 o primeiro navegador de internet, o WorldWideWeb (sem espaços).

Nos anos 80, a conexão de internet era feita por meio de um micro modem Hayes, que rodava na velocidade de 300 bits por segundo – muito mais que seu antecessor, de apenas 110 bps. Em 1983 se deu o grande marco do surgimento das redes baseadas em TCP/IP, assim, todos os computadores que ainda faziam utilização da rede antiga optaram pelo sistema de pacotes da nova rede.

A internet pública começou a ser utilizada no Brasil em meados de 1995 e entramos afinal, na “rede mundial de computadores”.

Antes de internet banda larga, fibra ótica e do 3G, os internautas navegavam utilizando o telefone e discando para a prestadora de serviços de acesso online. Durante cerca de quase um minuto, uma série de ruídos estranhos indicavam que o modem estava negociando a velocidade de conexão com a empresa de telefonia. Sistema caro e precário, levando a conta telefônica a valores astronômicos. Os adolescentes preferiam entrar na madrugada, quando as ligações eram mais baratas. Os provedores de internet da época trabalhavam com limite de tempo. O usuário tinha direito a uma hora por dia, tornando uma disputa familiar diária o acesso à web.

Êxtase – O surgimento das redes sociais

Foi por meio do surgimento dos sites KAZZAA e P2P que se deu início de compartilhamento de arquivos, fotos e vídeos e, consequentemente, o início das redes sociais.

O termo “cybercrime” surgiu em Lyon, na França, no final da década de 1990, depois da reunião de um subgrupo das nações do G8 que analisou e discutiu os crimes promovidos via aparelhos eletrônicos ou mediante a disseminação de informações pela internet. O subgrupo, chamado “Grupo de Lyon”, usou o termo para descrever extensivamente as formas de ilícitos praticados na Internet ou nas novas redes de telecomunicações, que se tornavam cada vez mais acessíveis a um grande número de usuários em todo o mundo.

Em 1998, é lançado o mecanismo de busca Google e na década seguinte, outros tipos de serviços de informação e comunicação ganhariam popularidade. É o caso das redes sociais, o LinkedIn, em 2003, e o Facebook, em 2004. Em 2005 o audiovisual online ganha impulso com a criação do YouTube, que viria a se tornar a maior plataforma de publicação e consumo de vídeos do planeta.

Antes da criação do YouTube os usuários enviavam os vídeos para os amigos por e-mail, com arquivo anexado. As pessoas baixavam o vídeo em uma resolução péssima e assistiam, se divertiam e passavam adiante. Alguns dos primeiros vídeos virais, como “Batima na feira da fruta” e “A história do mamute”, foram viralizados na internet dessa forma (se você está lendo esse artigo e não sabe do que se trata, joga essas frases na suas ferramenta de busca e se divirta com a nostalgia).

O Twitter chegou em 2006 e padronizou um estilo de microblogs para compartilhamento de conteúdo de forma mais rápida e sucinta com um limite de caracteres por publicação.

Quem viveu a Internet dos anos 2000 se lembra de alguns hábitos especiais da época, onde o Orkut era a rede social dominante no país, o MSN era o mensageiro favorito dos “descolados”, o acesso à rede móvel era quase inexistente e o início dos blogs e das blogueiros de plantão. Os usuários do Orkut, Flogão e MySpace queriam se diferenciar e usam letras especiais, se empenhavam em deixar o visual de seus perfis mais bonitos e exclusivos.

Em um tempo em que a palavra “selfie” sequer existia, a sensação era tirar fotos do próprio reflexo no espelho com aquelas câmeras digitais compacta.

Agonia – Proteção contra os crimes cibernéticos

A facilidade de publicação de conteúdo e a participação em redes sociais e fóruns motivou a ideia de uma web 2.0, marcada pela participação e pelo caráter social e, principalmente em razão dos crimes digitais.

O perfil dos criminosos digitais normalmente foi e continua sendo jovens, entre 15 e 32 anos, do sexo masculino, com inteligência acima da média, educados, audaciosos e aventureiros, têm preferência por ficção científica, música, xadrez, jogos de guerra e não gostam de esportes de impacto e por vezes não receberam limites e educação digital dentro de casa e na escola.

As terminologias também são usadas de forma equivocada desde os anos 80.

Os hackers são especialistas em programação que usam seus conhecimentos técnicos para descobrir falhas em programas e sistemas, sem causar dano a empresa ou site invadido, porém por vezes o fazem sem o consentimento dos alvos escolhidos. No centro da palavra hack, em inglês, está a referência ao duro trabalho dos carpinteiros que usam de ferramentas adequadas, iam eliminando lascas da madeira até que tomasse a forma desejada.

Os crackers são criminosos que tem os mesmos conhecimentos técnicos de um hacker, mas os utiliza para atacar, destruir ou roubar informações, em benefício próprio ou não.

O phreaker é criminoso especializado em obter informação não autorizada sobre o sistema telefónico da vítima. O termo phreak é uma ortografia especial da palavra aberração em inglês (freak) com o ph- de telefone, e também pode se referir ao uso de vários áudio frequências para manipular um sistema de telefone. Phreak, phreaker ou telefone phreak são nomes usados ​​pelos autores que participam do ato ilícito de de phreaking.

Tem também o pirata, chamado de pirate, que é o indivíduo especializado em reunir e distribuir software protegido por copyright.

Por último temos os lammers, pessoas que com pouco conhecimento técnico ou às vezes nenhum, se auto intitulam como hacker, e que muitas vezes utiliza ferramentas ou programas já prontos, normalmente disponibilizados pela Internet, para tentar realizar invasões ou ataques.

É importante esclarecer que os crimes virtuais não são novidades e cabe às escolas proporcionar mais informação e limites do uso de tecnologia dentro dos estabelecimentos de ensino. Hoje os colégios convivem diariamente com o cyberbullying, selfies e nudes a qualquer hora, jovens viciados em games, professores que escreverem mensagem de texto enquanto ministram aulas, pessoas que não desgrudam do celular nas refeições, exposição explicita da vida privada nas redes sociais, uso desenfreado do WhatsApp durante as aulas, pedofilia virtual, ausência de proteção de dados dos alunos e pais pela escola e etc.

Nas redes sociais você se representa ao mundo a partir das suas postagens. E esse pensamento estimula os crimes digitais e a proliferação de insultos disfarçados de liberdade de expressão.

Após 50 anos de internet uma conclusão é inevitável: o colégio tem que assumir a linha de frente na educação digital de pais, alunos e professores, mediante a implementação de técnicas de compliance escolar e políticas especificas para a proteção da geração presente e futura.

*Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, sócia de SLM Advogados e coordenadora do programa jurídico educacional “Proteja-se contra prejuízos do cyberbullying

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