Internautas querem ‘indenizar’ agente de trânsito com dinheiro de vaquinha

Internautas querem ‘indenizar’ agente de trânsito com dinheiro de vaquinha

O Tribunal de Justiça do Rio achou que Luciana não merecia uma indenização, mas nitidamente este não é o entendimento da sociedade, diz a organizadora da vaquinha

Redação

05 de novembro de 2014 | 16h41

Por Julia Affonso

A vaquinha promovida por internautas para ajudar a agente de trânsito Luciana Tamburini a pagar o juiz João Carlos de Souza Correa passou dos R$ 11.500. Ela foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro a pagar R$ 5 mil ao magistrado, por danos morais.

“O remanescente será doado como uma indenização da sociedade à Luciana. Foi um pedido de vários doadores e acho correto. O Tribunal de Justiça do Rio achou que Luciana não merecia uma indenização, mas nitidamente este não é o entendimento da sociedade”, disse a advogada Flávia Penido, organizadora da vaquinha.

Luciana Tamburini. Foto: Arquivo Pessoal

Luciana Tamburini. Foto: Arquivo Pessoal

A agente de trânsito afirma que vai recorrer da decisão e doar o dinheiro da vaquinha para uma instituição de caridade. A ideia de Flávia é ir ao Rio de Janeiro entregar pessoalmente o dinheiro. A data, no entanto, ainda não está programada.

Luciana é servidora do Detran e recebe mensalmente cerca de R$ 3.700. Depois do episódio, ela passou a trabalhar internamente.

“Estou ali para fazer cumprir a lei, então, vou fazer direito e igual para todo mundo. É muito difícil, porque se eu não faço a multa, eu prevarico. Se eu faço, eu estou errada”, afirma ela.

Em fevereiro de 2011, a servidora trabalhava na Operação Lei Seca no Leblon, zona sul do Rio, quando parou o magistrado em uma blitz. Para a Justiça fluminense, a agente agiu com abuso de poder ao abordar o juiz, que estava sem a carteira de motorista e conduzia um carro sem placas e sem documentos.

Na sentença, o desembargador responsável pelo caso afirma que a servidora ofendeu o juiz, “mesmo ciente da relevância da função pública por ele desempenhada”. Ela teria dito que ele era “juiz, mas não Deus”.

Carro do juiz sendo lacrado. Foto: Arquivo Pessoal

Carro do juiz sendo lacrado. Foto: Arquivo Pessoal

 

 

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