Internacionalização: como Portugal está abrindo o mercado europeu à pequena indústria brasileira

Internacionalização: como Portugal está abrindo o mercado europeu à pequena indústria brasileira

Hidalgo Dal Colletto*

08 de janeiro de 2021 | 05h30

Hidalgo Dal Colletto. FOTO: DIVULGAÇÃO

Portugal está se mostrando um país disposto a apoiar a internacionalização da indústria brasileira, em especial a desenvolvedora de tecnologia, abrindo as portas do mercado europeu para novas operações. O projeto Portugal 2020, um acordo de parceria adotado entre Portugal e a Comissão Europeia, que reúne a atuação dos cinco Fundos Europeus Estruturais e de Investimento, iniciado em 2014 e que terá seu ápice em meados de 2021, por exemplo, aceitou a candidatura de indústrias brasileiras interessadas em levar tecnologia ao país europeu.

Para que se entenda melhor o projeto Portugal 2020, em 2014, a Comissão Europeia reuniu cinco fundos europeus estruturais e de investimento para promover o crescimento de países europeus que mais necessitam de apoio para desenvolvimento: Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Fundo de Coesão, Fundo Social Europeu, Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural e Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e Pescas. Até o final do projeto (estimado para meados de 2021, pelo atraso causado pela pandemia), Portugal receberá 25 bilhões de euros (o que, lá, são 25 mil milhões de euros). De forma mais simples, o projeto consiste na estratégia de Portugal para a aplicação dos fundos da União Europeia entre 2014 e 2020.

Para concorrer à verba, os projetos dos pleiteantes ao financiamento precisam obedecer determinados critérios, que demonstrem significativa especialização científica, tecnológica e econômica e que possam gerar vantagens competitivas ao país, recebendo notas que vão de zero a seis.

A intenção do Portugal 2020 é gerar emprego e renda ao país europeu, de forma inteligente, sustentável e inclusiva, atraindo inovação tecnológica e promovendo a industrialização regional, especialmente nas regiões Norte, Central, de Lisboa, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira.

E, onde entram as pequenas indústrias brasileiras, neste contexto? Com um ‘quê’ de ousadia e boa vontade para entender as necessidades mercadológicas e a forma como os portugueses – e os europeus, de modo geral – fazem negócios, quaisquer empresas brasileiras puderam se candidatar ao financiamento do projeto Portugal 2020, num dos 16 programas operacionais oferecidos. Podia-se, por exemplo, pleitear financiamento para construção de unidades fabris ou investimento em parceria com outras indústrias locais: o que Portugal precisa é de força de trabalho, inovação tecnológica e indústrias dispostas a gerar empregos localmente. E, uma vez que se conquiste espaço no país europeu, a comunidade europeia se abre aos negócios com muito mais facilidade e entusiasmo.

Existem outros atrativos locais aos empresários brasileiros. Aqui, estamos acostumados com a eterna burocracia. Em Portugal, sua empresa é aberta, legalmente, em cerca de uma hora – no Brasil, chega a demorar 180 dias. Os órgãos regulatórios disponibilizam modelos de documentos aos quais o empreendedor se adapta, sem a necessidade de criar seus próprios contratos. Em termos culturais, as relações comerciais partem da confiança entre os envolvidos, sendo menos burocráticas e mais ‘mãos à obra’. É importante que se saiba disso, porque o português é literal: é preciso que se respeite sua cultura para que essa confiança não seja maculada.

À parte de todo esse cenário positivo, é preciso deixar claro que achismos não têm espaço numa operação de internacionalização. Por isso, é necessário que as pequenas indústrias brasileiras que desejam operar na Europa estudem atentamente o mercado, identificando oportunidades e ameaças. Antes de ‘desejar’ produzir seu produto no mercado europeu, é fundamental que se entenda a demanda que existe por ele, a logística envolvida em sua comercialização, os impostos de cada país aplicados à atividade e tantos outros pormenores que um industrial já conhece, obviamente, por operar no Brasil, mas que não pode deduzir que seja exatamente igual na Europa. Por isso, muitos pleiteantes recorreram a consultorias especializadas no Portugal 2020, que ajudaram a formatar projetos com mais chance de aceitação.

Os resultados das empresas beneficiadas pelo projeto Portugal 2020 estarão disponíveis no primeiro semestre de 2021. O governo português não divulgou estatísticas dos pleiteantes, mas é certo que outros pequenos empreendedores brasileiros estão na expectativa de conseguir operar internacionalmente. Tomara que todos consigam – e que representem bem o Brasil, com honestidade e profissionalismo, no exterior.

*Hidalgo Dal Colletto é CEO da Standard America

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